Nos próximos meses a oposição à extrema-direita – que chegou ao poder no Brasil – deve se recompor e começar a se articular. Contrariando a lógica pretérita – na qual os partidos políticos eram, praticamente, os únicos catalisadores da insatisfação com os donos do poder – o País deve viver experiências inéditas a partir daqui. Muitos ainda não perceberam, mas aquele intervalo batizado de Nova República – e que se estendeu de 1985 a 2016 – findou. Uma nova dinâmica deve reger a política desde já. Isso significa que a importância relativa dos partidos políticos, por exemplo, deve diminuir. Desde 2013, com aquelas monumentais manifestações, ficou evidente que os canais convencionais da democracia representativa – como os parlamentos – estão desgastados e precisam sintonizar-se às ruas, arejar-se, refletir o que pensa o cidadão comum. Isso não foi feito até aqui. E deu no que deu: um candidato de extrema-direita – Jair Bolsonaro (PSL) – com um calculado discurso iconoclasta chegou ao ...