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O salto no escuro

Faltam, precisamente, 85 dias para as eleições presidenciais no Brasil. Desde a redemocratização que o País não vive sob tanta confusão política. Líder nas pesquisas, o ex-presidente Lula (PT) permanece preso em Curitiba: tudo indica que não vai concorrer. O segundo colocado, Jair Bolsonaro (PSL), investe em uma alarmante retórica beligerante. Segundo a análise convencional, ambos se situam nos extremos ideológicos, à esquerda e à direta, respectivamente. Para o bem do Brasil – alega-se – é necessário trilhar o “caminho do meio”, escolhendo um candidato mais alinhado com o suposto “centro” ideológico. Essa faixa está congestionada: Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos), Geraldo Alckmin (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e vários nanicos acotovelam-se, apesar de repisarem a necessidade de união e convergência. Flutuando, Ciro Gomes (PDT) empenha-se para atrair o “Centrão” – aqueles empedernidos governistas, entusiastas do balcão, ex-liderados pelo atual presidiário Eduardo Cunha (M…
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Degradação do Centro de Abastecimento favorece remoção

A degradação do Centro de Abastecimento vem se acentuando há algum tempo. Os visitantes mais atentos apontam a sujeira disseminada, a insegurança alarmante e a deterioração geral da infraestrutura como problemas crônicos que se acentuaram nos últimos tempos. Para completar, as obras do badalado shopping popular implicaram na colocação de tapumes metálicos que restringem a circulação e produzem poeira nos dias de sol e muita lama nos dias de chuva. Quem se locomove pelo entreposto vive assustado. Sobretudo naquele galpão intermediário aonde se amontoam os varejistas de verduras e legumes. Escuro, sujo e malcuidado, o espaço se tornou refúgio para a malandragem, que circula por ali sem maiores embaraços. Feirantes e consumidores exibem feições assustadas, porque os riscos de ações violentas, como roubos e agressões – e até assassinatos – são evidentes. É longo o histórico de descaso com o equipamento. As calçadas por onde circulavam os pedestres já não existem há muito tempo, destruídas p…

O encanto indescritível do Vale do Capão

O Vale do Capão começa a embriagar os olhos de quem se aventura pelo coração geográfico da Bahia ainda na BR 242, a que atravessa todo o estado no sentido Leste-Oeste, em direção ao Planalto Central do País. Pela rodovia sinuosa e íngreme vão se revelando os morros sucessivos com sua inconfundível coloração rochosa, recobertos pela espinhosa vegetação típica do semiárido. Mais além os chapadões se estendem, azuis em dias de sol radioso, misturando-se ao horizonte, confundindo-se também com o céu que assume uma coloração mais clara. A essas alturas o viajante já está imerso no espírito da Chapada Diamantina. Há, aí, o respeitoso espanto com o grandioso espetáculo da natureza, misturado a uma sensação de eternidade que a paisagem inspira. O sentimento se avoluma à medida que os olhos se embebedam com aquela beleza que revela uma nova perspectiva a cada curva, a cada ângulo, a cada efeito que o vento e a luz, combinados, produzem. Quando envereda pela BA 849 que dá acesso a Palmeiras – o b…

Vendedores de amendoim se multiplicam

Nos últimos meses basta circular um pouco pela Feira de Santana para perceber, pelos bairros populares, fogueiras à porta das casas para cozinhar amendoim. O preparo do produto exige imensas panelas que repousam sobre fogueiras rústicas, armadas com carvão e lenha, reforçada com tábuas e pedaços de madeira descartados. Quando as fogueiras improvisadas ardem, o amendoim ferve nos caldeirões e tiras tênues de fumaça desprendem-se, brancas, se diluindo no vento constante. Tradicionalmente, o bairro Queimadinha abriga a gente mais dedicada ao ofício, que perambula pelas ruas feirenses o ano inteiro, apregoando o produto, cativando clientela nos bares e nos pontos de ônibus, tornando-se referência na atividade. No bairro se produz também amendoim torrado e aquele que se mistura ao camarão seco e que faz sucesso como tira-gosto. Lá foi instalada, há anos, uma cozinha comunitária para a preparação do produto. E é comum se ver levas de trabalhadores, com músculos retesados, impulsionando os car…

O falso dilema entre educação e segurança pública

Feira de Santana está atravessando a década mais violenta de sua História. Já faz tempo que o número de assassinatos superou o do decênio passado, que tinha sido o mais sangrento até então. Não é à toa que o município se sobressai nesses tristes rankings da violência, divulgados por instituições governamentais e por organismos internacionais. O Brasil enfrenta epidemia similar – ano passado aconteceram mais de 60 mil assassinatos, um recorde mundial – e, o que é mais desolador, o debate sobre o tema é pouco alentador. Há, inclusive, sinais inquietantes de que a Segurança Pública se tornou objeto de ações espetaculosas, demagógicas. É o caso da intervenção federal no Rio de Janeiro que, quatro meses depois, apresenta resultados pífios, conforme era facilmente previsível. Movido pela ilusão de uma candidatura presidencial, Michel Temer (MDB-SP), o mandatário de Tietê, adotou a medida, pensando nos eventuais bônus eleitorais. Há poucos dias, às pressas, o Congresso Nacional aprovou o proje…

Composições eleitorais na Bahia caminham para definições

No início da semana finalmente foi divulgado aquilo que todo mundo já sabia: Ângelo Coronel (PSD) vai ser um dos candidatos ao Senado na chapa do governador Rui Costa (PT). Completam o time – virou moda as referências futebolísticas no cenário político – o vice-governador João Leão (PP) e o ex-governador e ex-ministro Jaques Wagner (PT), que também é candidato ao Senado. Todos homens, brancos e ricos. Em tempos de valorização da diversidade – inclusive de gênero – a composição soa muito tradicional, conservadora até, por mais que os petistas recusem o rótulo. A atual senadora Lídice da Mata (PSB) foi rifada e o PC do B – tradicional aliado petista – também. Não foi à toa que dirigentes das duas legendas fizeram críticas públicas, expondo o descontentamento com o perfil da chapa e com modus operandi adotado na definição dos indicados. Mas, romper com o petismo – pelo menos formalmente – ninguém se dispôs. Pelo menos até aqui. Do imbróglio, quem emergiu como eminência parda da composição …

Após chacinas, tensão dominou a segunda-feira

A noite foi tensa ontem (18) na Feira de Santana. Aquele foguetório que acompanha as celebrações juninas não se ouviu, contrastando com as noites anteriores. Foi reduzido e espaçado o espocar dos fogos, que deixaram de iluminar o céu feirense. Luz, mesmo, só a do holofote do helicóptero da Polícia Militar, que sobrevoou a cidade durante parte da noite, sob o teto avermelhado do céu com nuvens carregadas, baixas. Na Queimadinha, a aeronave sobrevoou três vezes aquela conturbada região em que se veem resquícios de lagoa e a densa vegetação de taboas. Do alto, lançava fachos de luz sobre as vielas. Embaixo e nas cercanias, reinava um silêncio denso, incomum nessa época do ano. A quietude tornava ainda mais monótona a luz das lâmpadas de iluminação pública, que feriam fragilmente a penumbra citadina, sob a cortina d’água. Pela cidade também se viu a circulação mais intensa de viaturas, com os giroflexes ligados, projetando luzes vermelhas e azuis sobre o asfalto umedecido pela chuva. Desde …