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Governo segue acumulando declarações desastrosas

- Bolsonaro calado é um poeta. A frase trafega pelos comentários das mídias sociais com desenvoltura. Não é original, mas define com rara felicidade quem é o atual mandatário do Brasil, o controverso Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Bastam umas poucas horas para irem se avolumando frases bizarras, algumas delas inacreditáveis. Caso, de fato, permanecesse calado, causaria menos danos ao próprio governo. Um hipotético compilador de matéria-prima para um novo “Febeapá” – o Festival de Besteiras que Assola o País, do brilhante jornalista Sérgio Porto – acumularia muito conteúdo nos últimos dias. A trágica e inexplicável morte de um músico negro no Rio de Janeiro – foram 80 tiros disparados por integrantes do Exército no carro em que ele se deslocava com a família – virou “incidente”, nas palavras do mandatário do Vale do Ribeira. Com direito a arremate com uma pérola: “O Exército não matou ninguém”. A valentia que sobra para afrontar certos segmentos faltou na lida com os caminhoneiros. Bastou ameaç…
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Feirense se prepara para a Semana Santa e a Micareta

A partir da semana que vem a Feira de Santana ingressa em dois períodos consecutivos de celebrações. O primeiro tem motivação sagrada: é a Semana Santa, época de imensa importância para os católicos, período de jejum e recolhimento pelo martírio de Jesus Cristo. Logo na sequência vem a Micareta, com todos os apelos da tradicional celebração profana que anima o feirense há oito décadas. De quebra, mais adiante, ainda tem o 1° de maio, dia do trabalho. A Semana Santa marca o final da Quaresma. No passado, era período que se atravessava com respeito e reverência. À exceção dos católicos mais devotos, a data incorporou-se à agenda festiva do brasileiro – e do baiano em especial – com mesa farta, confraternizações familiares e generoso consumo de vinho. No domingo, mastigam-se os ovos de chocolate na Páscoa, sacramentando a data comercial das celebrações. Logo depois vem a Micareta. Graças ao fato do Carnaval este ano começar quase em março, a maior festa popular da Feira de Santana ficou es…

Um retrato da situação do trabalhador em Feira

Em 2016, no auge da crise econômica cujos efeitos ainda se fazem sentir no Brasil, o trabalhador recebia, em média, dois salários mínimos aqui na Feira de Santana. Naquele ano, o mínimo equivalia a R$ 880. Ou seja: a remuneração média alcançava R$ 1.760. Não era muito em relação à realidade do País: no ranking elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, o município fica na longínqua 1.807ª posição, bem distante de diversos municípios menores e mais dinâmicos no Sul e no Sudeste. Mas, mesmo aqui na Bahia, a posição não era das mais animadoras: no estado, a Feira de Santana fica em um modesto 59º lugar. Aliás, mesmo na microrregião, não conseguimos garantir o protagonismo: a Princesa do Sertão fica apenas em terceiro lugar.  Isso significa que, apesar da pujança econômica do município, a ocupação do feirense remunera menos e ele, provavelmente, é menos qualificado que os trabalhadores de cidades do mesmo porte. Isso fica mais claro quando se analisa o conjunto …

MEC vai seguir combate quixotesco contra “marxismo cultural”?

Desde janeiro que a vida dos humoristas ficou mais difícil. É que os governantes de plantão falam e fazem tanta besteira que concorrer com eles ficou complicado. Autores como Stanislaw Ponte Preta – pseudônimo do brilhante jornalista Sérgio Porto – e seu inesquecível “Festival de Besteiras que Assola o País”, o Febeapá, precisariam se esforçar muito mais, mesmo dispondo de talento indiscutível. Uma das mais prolíficas fontes de bobagens é – quem diria – o Ministério da Educação. Um obscuro professor colombiano, indicado por um ex-astrólogo, teria poucas probabilidades de sucesso, mesmo sob o governo que está aí. Não deu outra: apenas três meses depois da posse, sai quase escorraçado. Esse intervalo de 90 dias de gestão foi suficiente para caudalosas páginas, dignas de um “Febeapá”. Chamar brasileiros que viajam de gatunos e negar a existência de uma ditadura militar que durou 21 anos figuram como exemplos. Apesar do tom moderado no discurso de posse, o sucessor desperta pouco otimismo: …

A peleja das “tchutchucas” e dos “tigrões” na reforma da Previdência

Foi no mínimo patético o desempenho do ministro da Economia, Paulo Guedes, na audiência na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, no debate sobre a reforma da Previdência. Chamado até de “tchutchuca”, reagiu mal: “Tchutchuca é a mãe, é a avó”, rebateu a provocação do deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho de Zé Dirceu. Enquanto a oposição fustigava Guedes, a bancada governista – formalmente restrita ao PSL, o partido do presidente – se limitava à condição de plateia. Quem circula pelos corredores do Congresso Nacional afirma que a proposta, do jeito que foi apresentada, não passa. Será expurgada a capitalização, o corte no Benefício de Prestação Continuada (BPC), as regras mais rígidas para a aposentadoria rural e o aumento do tempo mínimo de contribuição, que penaliza os mais pobres. É o que comentam parlamentares e alguns profissionais da imprensa divulgam. Caso isso se confirme, parte das danosas propostas que produzirão prejuízos permanentes sobre muitos bra…

A celebração do golpe e a cortina de fumaça

Pretendiam comemorar, no próximo dia 31 de março, o aniversário de 55 anos do golpe militar. Na verdade, tratou-se de uma quartelada, desfechada em 1º de abril de 1964. Para evitar associação com o folclórico dia da mentira, anteciparam a data, para efeito de historiografia oficial. Bastaram, portanto, umas poucas horas para a verdade começar a ser distorcida no regime que despontava. Agora, flertaram ressuscitá-lo, provavelmente com aquelas intragáveis celebrações. A determinação foi do próprio presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), segundo revelaram auxiliares à imprensa. Depois ele desmentiu. Não faltou quem especulasse, na oposição, se a ideia não era uma tentativa de tergiversar, desviar o foco do sofrível governo que, até aqui, não mostrou a que veio. Manobra ou não, o fato é que se tratava de uma inquietante demonstração de simpatia pelo arbítrio, pelos regimes de exceção. O mais estarrecedor foi o pretexto utilizado para justificar a excentricidade. Informou-se que o …

Após redução, Bolsa Família cresce um pouco em Feira

O número de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família (PBF) caiu no início do governo Jair Bolsonaro (PSL-RJ), mas agregou algumas centenas de famílias nos últimos dois meses em Feira de Santana. Mesmo assim, o total de contemplados está muito distante dos tempos áureos da iniciativa, que começou a declinar em 2016. Segundo relatório do Ministério da Cidadania – o substituto do antigo Ministério do Desenvolvimento Social – há, exatamente, 31.662 famílias beneficiárias do PBF no município. Esse número fez jus a um repasse de R$ 3,736 milhões nesse mês de março. É mais do que o total repassado em fevereiro (R$ 3,664 milhões) e do que foi repassado em janeiro (R$ 3,607 milhões). Só que, em dezembro do ano passado, o valor repassado foi maior (R$ 3,790 milhões), embora o valor atual, nominal, seja mais elevado que em praticamente todos os meses de 2018. Cresceu também, em março, o número de famílias beneficiárias. Eram 30.817 em janeiro e passaram a 31.157 no mês seguinte; agora em m…