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O rural feirense, segundo o Censo Agropecuário 2017 (III)

No rural feirense prevalecem os cultivos de subsistência – feijão, mandioca e milho –, típicos do semiárido, embora haja uma rica, mas nem tão expressiva diversidade na agricultura local. É o que apontam os dados do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizado ano passado, mas cujos resultados foram divulgados nos últimos meses. Em textos anteriores já se ressaltou a importância dessas informações para a construção de políticas para o campo.
Segundo o levantamento, 3.029 estabelecimentos – do total de 9.191 mapeados na Feira de Santana – plantaram milho à época do Censo. Eles colheram um milhão de toneladas, numa área plantada de 2,7 mil hectares. É muito mais que o milho forrageiro, cuja colheita somou 127,8 toneladas, sendo plantado em 62,9 hectares de apenas 24 estabelecimentos.
A quantidade de estabelecimentos aonde se plantou feijão também foi expressiva: 3.702.  A produtividade, porém, não foi tão expressiva: 287 toneladas colhidas em 1,9 mil hectares plantados. O feijão fradinho vem logo na sequência: 160,7 toneladas colhidas. O agricultor feirense também cavoucou a terra para colher feijão verde (43,7 toneladas) e até feijão preto (1,9 tonelada).
Com relação à mandioca – e ao aipim e à macaxeira – houve plantio em apenas 794 estabelecimentos. E os demais números não foram lá muito animadores: 605 toneladas colhidas em 489,5 hectares plantados. Nesse e noutros cultivos, o desempenho se deveu às chuvas escassas – não caíram as tradicionais trovoadas – que afetaram todo o Nordeste nos últimos anos.

Cajueiros

O feirense residente no campo também gosta de se dedicar à abóbora. Em 1.427 estabelecimentos foram colhidas 841,9 toneladas, cujo plantio se estendeu por 473 hectares. O produto é frequente nas mesas feirenses e pode ser encontrado com ampla diversidade pelas feiras-livres da cidade, sobretudo no Centro de Abastecimento.
Mas há, também, algumas curiosidades, inclusive estatísticas. O caju – típico do verão feirense, com ampla oferta nos janeiros antecedidos por trovoadas – só é cultivado em seis estabelecimentos com mais de 50 pés, totalizando 0,58 tonelada colhida. O número frio, porém, contrasta com os cajueiros que emolduram a paisagem do rural feirense.
Numericamente, é pouco numa cidade em que o caju é empregado para a preparação do suco gelado, para o doce em calda e até para acompanhar generosas doses de aguardente nas incontáveis biroscas feirenses. Mas é que os cajueiros se distribuem em propriedades que harmonizam diversas culturas, incluindo aí o pé de caju. Então, dificilmente há dezenas de plantas numa só propriedade.

Coqueiros, mangueiras e jaqueiras

Os coqueiros costumam ser associados a Salvador e ao infindável litoral baiano, mas estão muitos presentes também na Feira de Santana. Pelos bairros feirenses que abrigam quintais, é possível enxergar a planta esguia, elegante, balançando ao vento. Os dados do Censo Agropecuário indicam que 26 propriedades – todas com mais de 50 coqueiros – produzem impressionantes 303,1 mil cocos. Mas essa presença é muito mais viva, conforme se vê.
A mangueira – também muito fácil de ver, mesmo nos dias atuais – só foi registrada em uma propriedade com mais de 50 árvores. Pior é a situação da jaqueira, que costuma produzir sombras deliciosas mesmo nos dias de calor intenso: o Censo não registra a produção do fruto na cidade, embora também se notem espécimes pelo município. É, novamente, o efeito dos 50 pés.
Enfim, a Feira de Santana não produz boa parte daquilo que consome, mas a condição de entreposto comercial assegura aos feirenses a oportunidade de adquirir ampla variedade de frutas, verduras e legumes nas feiras-livres e mercados da cidade. É uma condição privilegiada, embora sigam lamentáveis as condições de comercialização nas feiras-livres da cidade. 

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