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O pior mês da história do mercado de trabalho em Feira

Dezembro foi o pior mês da história do mercado de trabalho na Feira de Santana. Em trinta dias, evaporaram precisos 1.031 postos formais. O número é oficial, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No período, houve 23 dias úteis, descartando os sábados. Logo, o saldo foi negativo em 44,8 empregos diários; considerando as oito horas diárias da jornada de trabalho, houve assustadoras 5,6 demissões líquidas – o saldo entre admissões e demissões – a cada hora de trabalho. Qualitativamente, o mês foi implacável com o trabalhador: o desemprego se irradiou pelos mais diversos setores, alvejando um leque amplo de funções. Mas os mais prejudicados foram os serventes de obra (-115 postos) e os pedreiros (-82 empregos), mostrando que a crise devora, voraz, as oportunidades na outrora festejada construção civil. Mas outros segmentos também foram afetados: 73 operadores de telemarketing perderam suas ocupações; e o comércio varejista – que naquele mês costuma contratar – registrou saldo ne...

Prefeito Graciliano Ramos é referência para os dias atuais (II)

O primeiro relatório encaminhado por Graciliano Ramos, prestando contas de sua atuação à frente da prefeitura de Palmeira dos Índios, repercutiu junto à imprensa alagoana e, até mesmo, no Rio de Janeiro. Mais que o desempenho satisfatório das atividades, foi o estilo pessoal e o conteúdo altamente literário que despertaram as atenções da imprensa. Em 1929 o futuro autor de “São Bernardo” repetiu o feito, encaminhando novo relatório com o mesmo estilo. Naquela época o literato desabrochava: desde 1925 ele se dedicava à elaboração de um romance que só foi concluído oito anos depois: “Caetés”. Anos antes, em 1921, quando era um pacato comerciante à frente da loja “Sincera”, Graciliano Ramos aventurara-se publicando, sob pseudônimo, uma série de artigos num semanário de Palmeira dos Índios, o “Índio”. Na prefeitura, durante 1928, Graciliano Ramos manteve a luta para extinguir benefícios injustificáveis, o que resultou em expressiva elevação da arrecadação, conforme ele mesmo apont...

Prefeito Graciliano Ramos é referência para os dias atuais (I)

Em 2017 milhares de prefeitos assumiram o cargo para mandato de quatro anos. Nesse momento de crise – política, econômica e ética – muitos deveriam se inspirar num dos mais célebres prefeitos brasileiros: Graciliano Ramos, posteriormente consagrado como autor de “Vidas Secas”, clássico da literatura brasileira. Eleito em 1927, permaneceu na prefeitura de Palmeira dos Índios por dois anos. Posteriormente, assumiu a Imprensa Oficial de Alagoas e foi diretor da Instrução Pública do estado, antes de se consagrar como um dos mais importantes escritores brasileiros. A eleição de Graciliano Ramos foi cercada de fatos pitorescos. Sua indicação partiu do deputado federal Álvaro Paes e dos irmãos Francisco e Otávio Cavalcanti, líderes políticos locais. Inicialmente, Graciliano resistiu à indicação, só cedendo quando os adversários começaram a espalhar o boato que ele estava com medo de concorrer. É o que relata Dênis de Moraes na biografia do escritor. Após inúmeras tratativas, o pleito...

Valor do Bolsa Família cai 56% em quatro anos em Feira

Em dezembro, o valor repassado pelo Governo Federal aos beneficiários do programa Bolsa Família na Feira de Santana alcançou R$ 4,088 milhões. É o valor mais baixo desde agosto de 2009, quando os feirenses contemplados pelo programa receberam, no total, R$ 3,949 milhões. Corrigido, esse valor de então alcançaria R$ 6,3 milhões em dezembro passado. Os números são oficiais, divulgados no balanço mensal do programa Brasil sem Miséria, no site do antigo Ministério do Desenvolvimento Social. O número de beneficiários do programa no município também segue em queda: no mês passado, eram apenas 34.045 famílias atendidas. Em dezembro do ano anterior – já em plena crise econômica – o número alcançava 41,3 mil famílias. Isso significa sete mil famílias a menos – ou quase 30 mil pessoas – público superior à população de centenas de municípios baianos. Em março de 2013 os repasses alcançaram o auge: R$ 7,080 milhões. Em valores atuais, esse montante representa R$ 9,1 milhões. Em outras palavra...

Tarifas de ônibus sobem mais que a inflação

O feirense vai atravessar o janeiro escaldante precisando desembolsar bem mais para utilizar o serviço de transporte público no município. A partir dessa quarta-feira (18) os valores passam a R$ 3,65 (para quem paga em dinheiro) e R$ 3,32 (para quem utiliza o cartão Via Feira). O reajuste está bem acima da inflação anual apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 6,29% ao longo dos 12 meses do ano passado. Quem paga em dinheiro se deu mais mal ainda: o valor era de R$ 3,30 e saltou para R$ 3,65, conforme mencionado. Nada menos que 10,6% de aumento. O pior é que, em outubro, já tinha havido reajuste: passou de R$ 3,10 para R$ 3,30 (ou 17,74% de majoração em apenas três meses). Os que utilizam o cartão também foram penalizados, com o aumento de 7,09%, de R$ 3,10 para R$ 3,32. O trabalhador feirense ganha pouco: dados de 2010 do IBGE, corrigidos pelo IPCA, indicam que a renda média de quem está no mercado formal é de R$ 1.440; já os informais recebem bem menos: apen...

Escassez de chuvas castiga Brasil Setentrional

As trovoadas seguem escassas no Brasil Setentrional, particularmente na porção semiárida, que amarga o quinto ano de seca, conforme afirmam os meteorologistas. As estimativas também não são lá muito otimistas: prevê-se que, em 2017, as chuvas não serão muito intensas, apesar do ciclo do El Niño ter findado ano passado. Estudos apontam que o fenômeno é o mais agudo em um século, superando estiagens severas, como a que se estendeu de 1979 até 1983. A seca – que comprime a renda do setor agropecuário, afetando, sobretudo, os pequenos produtores – soma-se à voraz crise econômica, potencializando os efeitos nocivos sobre a frágil economia da região. Os prejuízos acumulados com os rebanhos dizimados e a constante perda das safras somam bilhões de reais. As esperanças vão se manter vivas pelo menos até 19 março, data consagrada a São José. Na sabedoria popular, esse dia é determinante para que o inverno chegue – chuvas intensas ou trovoadas –, permitindo uma boa safra. Pouco depois disso...

PEC do Teto de Gastos pode desafogar cadeias?

No final do segundo mandato, em 2001, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tomou uma decisão histórica: assinou um decreto que determinava o fim dos manicômios no Brasil. A medida convergia com o esforço de décadas dos que advogavam pelo fim daquelas instituições que se pareciam com “depósitos de seres humanos”, de tão degradantes. Com a medida, a internação compulsória foi substituída pelo acompanhamento médico, com a possibilidade dos pacientes ficarem em casa. As famílias que acolhessem seus pacientes passaram a ter direito a um salário-mínimo mensal. Para além da dimensão humanitária, o Ministério da Fazenda espichava o olho para o aspecto financeiro: essa medida custava menos que manter pacientes reclusos em condições subumanas. Houve quem protestasse, prevendo multidões de loucos violentos pelas ruas. Não foi o que aconteceu. A atual crise no sistema carcerário pode levar à adoção de medidas semelhantes. Cerca de 40% dos presos nos cárceres brasileiros são provisórios, ...