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Impressões sobre o islamismo radical em Paris

                                                 Entre os meses de junho e julho realizei uma antiga aspiração: conhecer Paris. Por lá, percorri o circuito turístico tradicional: visitei o Sena e suas águas calmas e escuras, admirei a imponente torre Eiffel, me impressionei com o Arco do Triunfo e com a catedral de Notre Dame, me extasiei com os Jardins de Versalhes, percorri as ruas estreitas e festivas de Montmartre, conheci relíquias de civilizações antigas visitando o Louvre e também compareci à Bastilha e à Republique, que avivaram lembranças dos livros de História. A rigor, tudo muito banal: incontáveis viajantes fazem o mesmo périplo todos os anos e registram suas impressões em infinitos relatos.                 O inusitado da viagem só aflorou...

Crise no transporte público já dura um ano

                Quem embarca nos ônibus grená e branco pode não suspeitar, mas todos aqueles veículos circularam por anos a fio pela Zona Sul da cidade de São Paulo. Além de Santo Amaro e adjacências – reduto fervilhante de nordestinos que foram tentar a vida na metrópole paulistana – os veículos circularam pela periferia pobre da região, pontuada por dezenas de “jardins”, normalmente batizados com nomes femininos – Miriam, Ângela, Amália e por aí vai. Muitos feirenses – aqueles que vão em busca de mais oportunidades no Sudeste – sem dúvida veem esses veículos com familiaridade.                 Os ônibus azuis e brancos – o padrão da pintura em toda a capital é o mesmo, só muda a cor, conforme a região –, por sua vez, circulam no extremo oposto da cidade, na Zona Norte. Já os verdes e brancos circulam pela Zona Oeste. Os amarelos, mais raros por aqui, também são mais...

A dimensão econômica do tráfico de drogas

                                 Praticamente todos os dias alguém é preso na Feira de Santana sob acusação de tráfico de drogas. Essa rotina faz com que pelo menos centenas de detentos – entre os mais de 1,6 mil internos alojados no Conjunto Penal feirense, segundo dados oficiais – cumpram pena ou aguardem sentença relacionada a esse tipo de delito. As apreensões de drogas são, também, muito frequentes no município. Flagrantes de dezenas ou até centenas de quilos de maconha são comuns, mesmo não sendo tão habituais. Enormes quantidades de cocaína também já foram apreendidas por aqui. Segundo autoridades policiais, Feira de Santana integra as rotas dos barões do tráfico no País.                 Embora oficialmente não se reconheça, comenta-se que os traficantes ditam as leis em algumas comunidades pobres da Feira de Santana,...

Números do extermínio da juventude negra feirense

                                O sistemático extermínio da população masculina, jovem e negra no Brasil, vem aparecendo com alguma frequência no noticiário. Isso em função da reiterada repetição de episódios de violência envolvendo esse segmento da população. Recentemente, até mesmo uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investigou o tema no Congresso Nacional, constatando o óbvio: que essa matança é disseminada em todo o País. A Bahia – estado com maior número de negros em sua população – ocupa lugar de destaque nesse triste ranking. A Feira de Santana, logicamente, não fica atrás e contribui para alavancar esses números.                     Todos sabem que a Feira de Santana é uma cidade violenta: em 2010, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes atingiu 56,59, o que é bastante superior ao nível aceitáve...

A “Década Perdida” de Dilma Rousseff

Os anos 1980 ficaram conhecidos no Brasil como a “Década Perdida”: a inflação descontrolada, o desemprego alarmante, a precarização crescente do trabalho, o crescimento econômico pífio e a incapacidade crônica do Estado de debelar esses problemas contribuíram para a alcunha que se consagrou naquele decênio. O bafejo da esperança, porém, embalava as mobilizações dos brasileiros: depois de muita luta, o regime militar finalmente ruiu e, em 1988, o País ganhava uma Carta Magna que, pelo menos no papel, aproximou o Brasil da modernidade. Plagiando aquele período, tudo caminha para que a segunda década do século XXI também seja reconhecida como mais uma “Década Perdida”. O diagnóstico coincide com os dois mandatos presidenciais de Dilma Rousseff (PT), que há apenas pouco mais de nove meses começou uma conturbada segunda gestão, depois de uma acirrada disputa eleitoral em 2014. Em termos de crescimento econômico, a conclusão já parece óbvia: o Produto Interno Bruto (PIB) será negati...

O cenário das eleições municipais de 2016

                                  As crises política e econômica que abalroaram Dilma Rousseff (PT) logo nos primeiros dias deste seu segundo mandato varreram do noticiário as especulações sobre a corrida sucessória nos municípios brasileiros, que acontece já em meados de 2016. Pudera: a debacle econômica, a infindável série de desastradas manobras políticas e a virulência de um segmento hidrófobo da oposição ocupam todas as manchetes desde os primeiros dias de janeiro. A própria permanência da presidente no cargo é um mistério que só vai se revelar, pelo visto, mais adiante.                   Apesar da bruma densa que encobre o cenário político, paradoxalmente algumas certezas já se descortinaram para o processo eleitoral do próximo ano, pelo menos na visão de quem freque...

Desemprego e pobreza em alta e Bolsa Família em baixa

                 O desemprego é, certamente, a face mais cruel de uma crise econômica. Afinal, atinge justamente o segmento mais fragilizado da sociedade: a classe trabalhadora, que dispõe apenas de sua própria capacidade produtiva para assegurar a subsistência. Como todos sabem, desde meados de 2014 o Brasil mergulhou num ciclo recessivo, somado a uma intensa crise política – inclusive com uma renitente discussão sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) – que tende a se arrastar, na melhor das hipóteses, até meados de 2016. É o que apontam prognósticos de economistas e até de instituições do governo.                 Mais desemprego implica em exposição maior à pobreza. Quem perde o emprego e não dispõe de outras fontes de renda pode ver se elevar seu risco de insegurança alimentar. Isso para não mencionar a dificuldade de acesso a bens essenciais, ...