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O cenário das eleições municipais de 2016

                                  As crises política e econômica que abalroaram Dilma Rousseff (PT) logo nos primeiros dias deste seu segundo mandato varreram do noticiário as especulações sobre a corrida sucessória nos municípios brasileiros, que acontece já em meados de 2016. Pudera: a debacle econômica, a infindável série de desastradas manobras políticas e a virulência de um segmento hidrófobo da oposição ocupam todas as manchetes desde os primeiros dias de janeiro. A própria permanência da presidente no cargo é um mistério que só vai se revelar, pelo visto, mais adiante.                   Apesar da bruma densa que encobre o cenário político, paradoxalmente algumas certezas já se descortinaram para o processo eleitoral do próximo ano, pelo menos na visão de quem freque...

Desemprego e pobreza em alta e Bolsa Família em baixa

                 O desemprego é, certamente, a face mais cruel de uma crise econômica. Afinal, atinge justamente o segmento mais fragilizado da sociedade: a classe trabalhadora, que dispõe apenas de sua própria capacidade produtiva para assegurar a subsistência. Como todos sabem, desde meados de 2014 o Brasil mergulhou num ciclo recessivo, somado a uma intensa crise política – inclusive com uma renitente discussão sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) – que tende a se arrastar, na melhor das hipóteses, até meados de 2016. É o que apontam prognósticos de economistas e até de instituições do governo.                 Mais desemprego implica em exposição maior à pobreza. Quem perde o emprego e não dispõe de outras fontes de renda pode ver se elevar seu risco de insegurança alimentar. Isso para não mencionar a dificuldade de acesso a bens essenciais, ...

Cinco mil empregos a menos em apenas um ano

                                O desemprego voltou a crescer de forma alarmante nos meses de junho e julho em Feira de Santana. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, indicam que, desde janeiro, 4.375 empregos formais deixaram de existir no município. Somando-se aos 984 postos que encolheram ao longo de 2014, são mais de cinco mil empregos a menos num intervalo de apenas 12 meses. O setor mais atingido até aqui, conforme se previa, é o da construção civil. Mas a crise estendeu seus tentáculos diluindo vagas nos mais diversos setores, o que sinaliza para o caráter mais abrangente do seu alcance.                 Em julho registrou-se o mais elevado saldo de demissões no município: 1.246. No mês anterior, junho, houve o segundo maior: 1.223; nesses dois meses, foram 2.469 empregos formais a menos, entre admissões e demiss...

Colapso reforça necessidade da discussão sobre o transporte público

                                 A profunda crise que aflige o transporte coletivo na Feira de Santana constitui uma oportunidade de ouro para se discutir o sistema no município e, quem sabe, avançar alguns passos em direção ao seu aprimoramento. Ao contrário do que alegaram as empresas, o imbróglio não é fruto de uma ínfima e transitória redução no valor da passagem – de R$ 2,50 para R$ 2,35 –, adotada sob a efervescência das manifestações de junho de 2013. Por outro lado, as empresas não são as únicas responsáveis, já que o sistema vem se deteriorando há vários anos, sob o olhar complacente de sucessivas administrações municipais.                  No noticiário, promete-se a redenção num intervalo curto: nos próximos meses, 270 ônibus novos – conforme se frisa com ênfase – estarão ...

Transporte coletivo entra em colapso

O que já era descalabro há tempos enfim desembestou para o colapso nos últimos dias: Feira de Santana parou junto com os ônibus que ficaram estacionados nas garagens das empresas ao longo dos últimos dias. Nos pontos apinhados, a população se viu à mercê dos preços exorbitantes cobrados por táxis, moto-taxistas, vans do sistema complementar e mais uma infinidade de veículos particulares que ingressaram no transporte clandestino à cata de lucros astronômicos. O acúmulo de pequenos transtornos pessoais desaguou na paralisia quase generalizada da cidade: pacientes perderam suas consultas, estudantes deixaram de ir à escola, negócios foram adiados, compromissos foram remarcados e, quem pôde, sustou qualquer deslocamento: não valia a pena aventurar-se no caos. O baque sobre a economia feirense, já embaraçada por conta da feroz recessão que assombra o País desde o início de janeiro, é significativo. Acostumado à tarifa elevada, aos veículos sujos e malcheirosos, às constantes quebra...

A efervescente cultura juvenil na Feira de Santana

                          Há tempos acompanho com atenção um movimento interessante na Feira de Santana: uma crescente efervescência cultural que mobiliza a cidade e que, aos poucos, vai ganhando espaço, sobretudo nas novas mídias que constituem as principais referências da garotada. Mais animador, pelo que percebo, é a faixa etária de quem se engaja nesse movimento: gente recém-saída da adolescência ou que, em muitos casos, apenas ingressou na terceira década de vida. É alentadora essa mobilização: durante muito tempo, a vida cultural do município permaneceu árida, apenas eventualmente sacolejada por uns poucos entusiastas.             À primeira vista, dois fenômenos parecem ter contribuído para esse movimento: por um lado, a já mencionada revolução digital, que ampliou as plataformas de comunicação, assegurando maior visibilidade, com custos sensivelmente ...

Efeitos da crise sobre a Feira de Santana

                                  As crises gêmeas – econômica e política – que afligem o brasileiro nesse amargo 2015 vão, aos poucos, se tornando enfadonhas. Sobretudo em relação às análises: à medida que vão faltando fatos novos, os cronistas começam a se repetir, apontando aspectos que, na véspera, foram esmiuçados por alguém. Outros se limitam a torcer por um dos lados – à moda das gincanas – apostando na retórica arrebatadora para compensar a originalidade escassa. Os mais experientes – e honestos – mostram-se pasmos com a extensão do quiproquó e, principalmente, com sua natureza ímpar, que não permite recorrer às mesmas saídas do passado.                 O brasileiro médio pouco se dedica à exaustiva leitura das análises políticas. Mesmo os analistas da tevê despertam pouca atenção: em geral, o noticiário soa e...