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A Igreja Senhor dos Passos restaurada

Semana passada, depois de restaurada, a Igreja Senhor dos Passos foi entregue à comunidade católica durante os festejos natalinos. Não há dúvida que o templo figura entre as principais belezas da Feira de Santana, principalmente porque as belezas arquitetônicas do município estão aos poucos desaparecendo, engolidas pela especulação imobiliária ou pela insensibilidade cultural. Quem visita a cidade pela primeira vez ou passa ocasionalmente pela avenida – e até mesmo quem reside por aqui – com certeza se encanta com a beleza da igreja cuja arquitetura destoa de tudo aquilo que habitualmente se vê na Bahia. Herdeiros dos padrões estéticos portugueses, acabamos seduzidos pelo que foge ao barroco que, mesmo belo, é quase sufocante nas ladeiras de Salvador e de boa parte do Recôncavo. Apesar de obra relativamente recente – a finalização ocorreu apenas em 1979, embora a construção tenha sido iniciada no distante ano de 1921 – a igreja possui importância inegável para a vida da cidade. Tal...

Natal e Ano-Novo

Um dos mais vivos contrastes da Feira de Santana nos dias que antecedem o Natal está nas vitrines do comércio: de um lado a decoração natalina, com Papai Noel, trenós, luzes e densas camadas de uma neve artificial normalmente produzida com generosos tufos de algodão; do outro lado o calor abrasador do verão que se inicia, quase sempre implacável com os consumidores apressados. Ás vezes há um céu azul irretocável, embora predominem as nuvens, imensas e encardidas, mas que pouco colaboram para atenuar a temperatura elevada. Os contrastes, todavia, vão além da dimensão climática. Papai Noel e sua neve evocam o Natal gelado do Hemisfério Norte, onde o inverno torna as noites intermináveis e luminosidade ao longo do dia uma dádiva. Lá a noite de Natal é fria e a celebração do nascimento de Jesus Cristo nem sempre remove a gelidez dos sorrisos. A neve, que também causa transtornos, torna ainda mais longos os silêncios da madrugada. Na Bahia de tantos mistérios o povo conseguiu transforma...

Há alguma verdade na cantilena pós-eleitoral

Passaram as eleições, mas a cantilena de que “a Bahia está perdendo espaço para Pernambuco e Ceará” continua. Quem cacareja são os políticos desempregados que perderam as eleições em outubro e que – à falta de coisa melhor para fazer – permanecem em campanha. Talvez já estejam antecipando 2014. Ou 2012, já que os cofres das prefeituras são menos polpudos, mas já ajudam quem sempre permaneceu no poder e agora sofre com a desidratação eleitoral. Concordo que Pernambuco e Ceará estão assumindo maior protagonismo na economia nordestina. Se todos estiverem crescendo, a notícia não é ruim: afinal, a perda de uma posição relativa não significa necessariamente que a situação absoluta está ficando pior. Se fosse assim, o emprego não estaria em expansão na Bahia e a pobreza não estaria em queda, como se verifica. Todavia, ninguém toca num aspecto essencial: Pernambuco e Ceará crescem porque, ao longo dos anos, prepararam-se para esse crescimento. Na pior das hipóteses mexeram-se, correram at...

Agricultura feirense precisa de mais investimentos

É inegável que os grandes motores da economia feirense são o comércio, os serviços e a indústria, sendo que esta última se consolidou a partir dos anos 1960. A agricultura e a pecuária, que possuíram importância significativa até os anos 1950, foram decaindo e hoje representam pouco do Produto Interno Bruto (PIB) da Feira de Santana. Mesmo assim, o segmento rural contribui para o dinamismo da economia local e é responsável pela geração de emprego e renda para milhares de famílias feirenses. A importância da agricultura, particularmente da agricultura familiar, infelizmente, não se reflete no orçamento da prefeitura ao longo dos anos. Utilizando como referência dados da própria gestão municipal e empregando um recorte histórico razoavelmente significativo – desde 2004 – percebe-se que os investimentos são irrisórios, beirando o ridículo. Em 2004, o orçamento total da prefeitura – incluindo despesas com dívida pública e pessoal – era de R$ 217,4 milhões. Na agricultura for...

Centro de Abastecimento precisa de investimentos em pessoas

Nos últimos dias venho acompanhando com atenção o noticiário sobre prováveis intervenções da prefeitura no Centro de Abastecimento (CAF). A notícia mais alvissareira é que o prefeito Tarcízio Pimenta pretende apresentar um projeto em Brasília com o objetivo de captar R$ 10 milhões em recursos para investir na reforma do entreposto. Outra boa notícia é que, finalmente, surgem autoridades no município reconhecendo que o espaço apresenta inúmeros problemas que precisam ser resolvidos. Lixo acumulado, esgoto correndo a céu aberto, equipamentos depredados, além da insegurança para comerciantes e consumidores são alguns dos problemas constatáveis numa rápida visita ao local. Note-se, todavia, que esse cenário não é produto de uma degradação recente, mas se acumula há muitos anos. Sem exagero, pode-se afirmar que praticamente desde a inauguração do CAF. Afinal, nunca houve nenhuma intervenção significativa desde então. É dispensável a observação de que o espaço também está saturado e exige...

Bahia se redime depois de sete anos

  Salvador amanheceu diferente no sábado passado, dia 13 de novembro de 2010. A diferença não estava nos imensos flocos de nuvens brancas que cobriam a cidade e escondiam o céu azul típico das primaveras com cor de verão, como ocorre todos os anos na Bahia. A diferença também não estava no trânsito que fluía calmo no final de semana prolongado, nem na tranqüilidade anormal nas calçadas da Baixa dos Sapateiros, nem no Pelourinho sem turistas no início da manhã ou na praça Castro Alves sem a agitação habitual. Parece paradoxal, mas a primeira capital do Brasil, mais vazia, amanheceu inexplicavelmente ansiosa. O clima mostrava a expectativa pelo fim do dia, apesar do céu e apesar do mar. Ainda nas primeiras horas da manhã a ansiedade era extravasada com a repetição infindável do hino oficial do Esporte Clube Bahia, interpretado pelas mais diversas vozes das mais imprevisíveis maneiras. Pelas ruas legiões moviam-se ostentando, orgulhosas, o azul, o vermelho e o branco. Na avenida S...

BR 324 e Anel de Contorno: os problemas continuam

Muito papel e muita saliva já foram gastos para exaltar o momento econômico vivido pelo Brasil, cujos níveis de crescimento não se verificavam desde a década de 1970. Na sucessão presidencial, por exemplo, a situação ressaltava as realizações recentes e a oposição calava-se, buscando concentrar a discussão em temas secundários, subjetivos ou irrelevantes, já que o bom momento vivido pela economia do país é incontestável. Aqui ou ali a questão da infra-estrutura – indispensável para sustentar as atuais taxas de expansão – foi tocada, mas muito tangencialmente. A novidade em 2010 ficou por conta da promessa de Zé Serra de construir um metrô na Feira de Santana. Isso figurou nos primeiros dias da campanha, sendo posteriormente retirado das inserções televisivas, o que ajudou a colar nele o rótulo de “Zé Promessa”. Também se falou muito no aeroporto que, finalmente, parece que está sofrendo algumas intervenções. Os três principais candidatos ao governo da Bahia, a propósito, prometeram ...