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Centro de Abastecimento precisa de investimentos em pessoas

Nos últimos dias venho acompanhando com atenção o noticiário sobre prováveis intervenções da prefeitura no Centro de Abastecimento (CAF). A notícia mais alvissareira é que o prefeito Tarcízio Pimenta pretende apresentar um projeto em Brasília com o objetivo de captar R$ 10 milhões em recursos para investir na reforma do entreposto. Outra boa notícia é que, finalmente, surgem autoridades no município reconhecendo que o espaço apresenta inúmeros problemas que precisam ser resolvidos. Lixo acumulado, esgoto correndo a céu aberto, equipamentos depredados, além da insegurança para comerciantes e consumidores são alguns dos problemas constatáveis numa rápida visita ao local. Note-se, todavia, que esse cenário não é produto de uma degradação recente, mas se acumula há muitos anos. Sem exagero, pode-se afirmar que praticamente desde a inauguração do CAF. Afinal, nunca houve nenhuma intervenção significativa desde então. É dispensável a observação de que o espaço também está saturado e exige...

Bahia se redime depois de sete anos

  Salvador amanheceu diferente no sábado passado, dia 13 de novembro de 2010. A diferença não estava nos imensos flocos de nuvens brancas que cobriam a cidade e escondiam o céu azul típico das primaveras com cor de verão, como ocorre todos os anos na Bahia. A diferença também não estava no trânsito que fluía calmo no final de semana prolongado, nem na tranqüilidade anormal nas calçadas da Baixa dos Sapateiros, nem no Pelourinho sem turistas no início da manhã ou na praça Castro Alves sem a agitação habitual. Parece paradoxal, mas a primeira capital do Brasil, mais vazia, amanheceu inexplicavelmente ansiosa. O clima mostrava a expectativa pelo fim do dia, apesar do céu e apesar do mar. Ainda nas primeiras horas da manhã a ansiedade era extravasada com a repetição infindável do hino oficial do Esporte Clube Bahia, interpretado pelas mais diversas vozes das mais imprevisíveis maneiras. Pelas ruas legiões moviam-se ostentando, orgulhosas, o azul, o vermelho e o branco. Na avenida S...

BR 324 e Anel de Contorno: os problemas continuam

Muito papel e muita saliva já foram gastos para exaltar o momento econômico vivido pelo Brasil, cujos níveis de crescimento não se verificavam desde a década de 1970. Na sucessão presidencial, por exemplo, a situação ressaltava as realizações recentes e a oposição calava-se, buscando concentrar a discussão em temas secundários, subjetivos ou irrelevantes, já que o bom momento vivido pela economia do país é incontestável. Aqui ou ali a questão da infra-estrutura – indispensável para sustentar as atuais taxas de expansão – foi tocada, mas muito tangencialmente. A novidade em 2010 ficou por conta da promessa de Zé Serra de construir um metrô na Feira de Santana. Isso figurou nos primeiros dias da campanha, sendo posteriormente retirado das inserções televisivas, o que ajudou a colar nele o rótulo de “Zé Promessa”. Também se falou muito no aeroporto que, finalmente, parece que está sofrendo algumas intervenções. Os três principais candidatos ao governo da Bahia, a propósito, prometeram ...

Terminais improvisados exigem reparos

Há pouco mais de dois anos, quando a campanha eleitoral para prefeito estava em andamento, comentou-se neste espaço sobre a necessidade de solucionar o problema dos múltiplos locais de embarque de passageiros para os distritos feirenses e para municípios da região. Dois anos depois a questão sequer é mencionada e os aborrecimentos se avolumam, já que há um fluxo crescente de passageiros e mercadorias. O problema é mais visível exatamente onde o trânsito de pedestres e veículos é maior: na avenida Senhor dos Passos – onde até ônibus interurbano desembarca passageiro em ponto de ônibus urbano – e em vias paralelas à avenida, como a rua Visconde do Rio Branco e até lá nas imediações do Feiraguai. Tradicional e problemática, no entanto, é a saída Feira-Serrinha, que existe há décadas e nunca sofreu qualquer tipo de intervenção. Parcela significativa do transporte é feita por veículos informais e por micro-ônibus e vans legalizados. Muitos são vinculados a cooperativas com emblemas...

Feira não terá um milhão de habitantes

Durante muito tempo se falou que, em pouco tempo, a Feira de Santana alcançaria o seu milhão de habitantes, tornando-se uma metrópole. Matéria publicada nesta Tribuna Feirense semana passada sinaliza que, em 2010, o número de habitantes será de aproximadamente 550 mil pessoas, contrariando a estimativa populacional do próprio IBGE, que colocava o município muito próximo da marca dos 600 mil habitantes. Um conjunto de transformações ocorridas na sociedade brasileira ao longo da última década explica a expansão menor. A mais evidente mudança é a redução paulatina da taxa de fecundidade. Na média, atualmente as mulheres têm pouco mais de dois filhos, o suficiente apenas para repor a população. Quanto mais escolarizadas, menor o número de filhos. É evidente que essa tendência se verifica também na Feira de Santana. Para um município se manter crescendo significativamente seria necessário, então, um contínuo fluxo de migrantes. O que ocorre, todavia, é que o êxodo rural – principal fonte ...

Tempos de alta no “Feiraguai”

Basta o dólar se desvalorizar mais um pouco que os centros de comércio popular voltam à pauta da imprensa. Se a desvalorização alcança patamares recordes – semana passada chegou a custar R$ 1,65 – e ocorre em períodos de aquecimento das vendas, como os meses que antecedem o Natal, então começa a correria pelas entrevistas de consumidores das classes C e D, da exposição de produtos diversificados em tabuleiros coloridos e das dicas acerca dos locais onde se pode encontrar preços mais acessíveis e muitas opções. São comuns também as reportagens sobre a natureza informal da atividade e a prevalência de produtos contrabandeados e pirateados. Essa semana, por exemplo, um jornal de Salvador lembrou mais uma vez do “Feiraguai” aqui na Feira de Santana e trouxe pelo menos uma informação interessante: a de que somente a famosa Rua 25 de Março, em São Paulo e uma feira popular, em Brasília, superam em vendas o movimento frenético da praça Presidente Médici. Quem viaja pelo interior ou conver...

Eleições marcam o fim do “carlismo?”

O ex-governador Paulo Souto entrou e saiu da campanha eleitoral em 2010 aparentemente sem entender que a Bahia e o Brasil começam a viver um novo momento político, com uma população mais consciente dos seus direitos e das obrigações de quem se candidata a cargos públicos. Após a apuração dos votos, saiu-se com uma afirmação absolutamente infeliz num jornal da capital: a de que se a população reelegeu o governador Jaques Wagner, é porque deve estar feliz com a segurança e a saúde ofertados pelo Estado. Certamente o povo não está satisfeito. A questão é que a população não enxergou nele – e as urnas atestam a constatação – alguém em condições de melhorar os serviços. Afinal, durante longos oito anos Paulo Souto ocupou o Palácio de Ondina e não se pode dizer que os serviços fossem um primor. Que o diga a população que necessitava de atendimento médico no Clériston Andrade, por exemplo. No mais, o candidato passou o período eleitoral fazendo excelentes diagnósticos sobre a sit...