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Eleições marcam o fim do “carlismo?”


O ex-governador Paulo Souto entrou e saiu da campanha eleitoral em 2010 aparentemente sem entender que a Bahia e o Brasil começam a viver um novo momento político, com uma população mais consciente dos seus direitos e das obrigações de quem se candidata a cargos públicos. Após a apuração dos votos, saiu-se com uma afirmação absolutamente infeliz num jornal da capital: a de que se a população reelegeu o governador Jaques Wagner, é porque deve estar feliz com a segurança e a saúde ofertados pelo Estado.

Certamente o povo não está satisfeito. A questão é que a população não enxergou nele – e as urnas atestam a constatação – alguém em condições de melhorar os serviços. Afinal, durante longos oito anos Paulo Souto ocupou o Palácio de Ondina e não se pode dizer que os serviços fossem um primor. Que o diga a população que necessitava de atendimento médico no Clériston Andrade, por exemplo.

No mais, o candidato passou o período eleitoral fazendo excelentes diagnósticos sobre a situação baiana, mas esqueceu de comparar o quadro atual com o que existia em sua gestão. Optou por colocar uma pedra sobre o passado, provavelmente porque o passado não é dos mais agradáveis. O problema é que os antigos currais eleitorais começam a desaparecer e estratégias do gênero não passam mais despercebidas.

Por outro lado, alguns aspectos que sequer foram tocados pelo candidato durante a campanha estão sendo incorporados à agenda social. É o caso da transparência nas contas públicas – há quatro anos nem deputado sabia onde era aplicado o dinheiro do povo – e a participação social nas decisões de governo, o que era totalmente ignorado durante a chamada “hegemonia carlista”.

Fim do carlismo?

As derrotas de políticos ligados àquilo que se convencionou chamar “carlismo” na Bahia mostram o esgotamento do modelo político personalista, vertical, autoritário e patrimonialista herdado do regime militar e que por mais de duas décadas encontrou terreno fértil no Nordeste semi-árido.

Se as eleições 2010 marcam o sepultamento definitivo do “carlismo” é difícil dizer. Afinal, as sociedades se aprimoram com avanços, mas sujeitas a eventuais estagnações e retrocessos. O fato é que a consolidação democrática e a melhoria educacional da população – ainda que muito lenta para as necessidades atuais – mostram que a consciência política se consolida aos poucos e conduz a resultados melhores.

Porém, não resta dúvida de que a Bahia gerida autoritariamente há apenas meia-dúzia de anos vai aos poucos se tornando apenas uma triste recordação. Os partidos que pretendem sobreviver politicamente nas próximas décadas devem extrair inúmeras lições do presente, sobretudo a consciência de que sem respeito pelo povo e pelas instituições não se vai adiante.

Feira encolhe no parlamento

Feira de Santana perdeu dois deputados respeitados no Congresso Nacional: Sérgio Carneiro (PT) e Colbert Martins (PMDB). O insucesso do primeiro em parte se deve à avalanche de votos recebidos pelos petistas que foram secretários estaduais. Já Colbert, pelo visto, foi prejudicado pela gula de Geddel Vieira Lima de eleger o irmão com um caminhão de votos. Lamentável para a Feira de Santana.

Na Assembleia Legislativa os destaques ficaram com a folgada reeleição de Zé Neto e a ascensão de Graça Pimenta, primeira-dama da Feira de Santana, com votação significativa. Há quem entenda que a representação política do município encolheu pelo número de votos em candidatos de fora. A opção por “forasteiros”, porém, é soberana e prevista pelo sistema político.

Talvez uma explicação mais racional seja o excessivo número de candidatos locais. Foram muitos em 2010. Tantos que, em determinados momentos havia quem se surpreendesse: “Fulano também é candidato?”. Se houvesse menos concorrentes para os mesmos votos, talvez os resultados fossem mais favoráveis.

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