Pular para o conteúdo principal

O bimestre mais letal da pandemia em Feira

 

Em abril, o número de mortes – suspeitas ou confirmadas – pela Covid-19 caiu um pouco em relação ao mês de março na Feira de Santana. Foram 94 novos registros, contra 111 no mês anterior. Os números são do Centro de Informações de Registros Civil – CRC Nacional e podem ser conferidos no endereço eletrônico https://transparencia.registrocivil.org.br/especial-covid. É bom ressaltar que esses números se referem à data efetiva do óbito – suspeito ou confirmado por Covid-19 – e não à data de notificação.

O segundo bimestre de 2021 foi o mais mortífero da pandemia na Feira de Santana: 205 óbitos suspeitos ou confirmados pela doença. Março, como se sabe, foi o mês mais mortal. Na sequência, vem exatamente o último mês de abril, empatado com julho de 2020, com as 94 ocorrências já mencionadas.

O recrudescimento da Covid-19 em 2021 é indiscutível. Desde março e até dezembro do ano passado, foram 339 mortes suspeitas ou confirmadas; nos quatro primeiros meses de 2021, já são 313 ocorrências. Tudo indica que, ainda no mês de maio, a triste marca do ano passado será batida. Isso em apenas cinco meses. No total, 752 potenciais óbitos pela doença foram notificados na Feira de Santana desde o começo da pandemia.

É enfadonho repetir, mas só a vacinação em massa vai frear o morticínio no Brasil. Dados da prefeitura feirense indicam que, até sábado (01), 95,7 mil feirenses receberam pelo menos uma das doses da vacina contra a Covid-19. É menos de um sexto da população. Pouco para impedir que muito mais gente morra, sobretudo quando quase tudo está funcionando sem restrições ou com poucas restrições.

Mas, apesar de tudo, a Covid-19 vem sendo menos letal na Feira de Santana que em muitos lugares Brasil afora. Aqui a taxa de mortes por 100 mil habitantes está em 114,75. É muito menor que em cidades como Caucaia-CE, na Região Metropolitana de Fortaleza, que crava 194,13, por exemplo; ou Novo Hamburgo-RS, na Grande Porto Alegre, com impressionantes 302,39.

Inacreditável, porém, é a comparação com São Caetano do Sul, que desfruta de um dos melhores níveis de vida na Grande São Paulo: 421,72. As informações estão disponíveis no G1, em https://especiais.g1.globo.com/bemestar/coronavirus/2021/mapa-cidades-brasil-mortes-covid/ba/feira-de-santana.

Comparando-se com esses lugares, morreu relativamente bem menos gente na Feira de Santana. Mas, mesmo assim, nada justifica o afrouxamento das medidas de isolamento social. A reabertura de bares e restaurantes e o comércio aberto aos sábados parece que transmitiram a falsa sensação de que o pior já passou. Afinal, o que mais se vê por aí é gente sem máscara, despreocupada, feliz com a pretensa retomada.

É bom reiterar: a situação só vai caminhar para a normalidade quando boa parte da população for vacinada. Para tanto, é indispensável pressionar pela aquisição de imunizantes e pelo pagamento de um auxílio emergencial decente para a população vulnerável, que precisa sair de casa para batalhar o pão de cada dia.

São medidas que desagradam o desgoverno de Jair Bolsonaro, o “mito”. Como boa parte da classe política feirense é entusiasta do “mito”, talvez por isso haja pouca ou nenhuma cobrança...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Patrimônio Cultural de Feira de Santana I

A Sede da Prefeitura Municipal A história do prédio da Prefeitura Municipal de Feira de Santana começou há 129 anos, em 1880. Naquela oportunidade, a Câmara Municipal adquiriu o imóvel para sediar o Executivo, que não dispunha de instalações adequadas. Hoje talvez cause estranheza a iniciativa partir do Legislativo, mas é que naqueles anos os vereadores acumulavam o papel reservado aos atuais prefeitos. Em 1906 o município crescia e o prédio de então já não atendia às necessidades do Executivo. Foi, então, adquirido um outro imóvel utilizado como anexo da prefeitura. Passaram-se 14 anos e veio a iniciativa de se construir um prédio único e que abrigasse com comodidade a administração municipal. Após a autorização da construção da nova sede em 1920, o intendente Bernardino Bahia lançou a pedra fundamental em 1921. O engenheiro Acciolly Ferreira da Silva assumiu a responsabilidade técnica. No início do século XX Feira de Santana experimentou uma robusta expansão urbana. Além do prédio da...

Placas de inauguração contam parte da História do MAP

  Aprendi que a História pode ser contada sob diversas perspectivas. Uma delas, particularmente, desperta minha atenção. É a da Administração Pública. Mais ainda: a dos prédios públicos – sejam eles quais forem – espalhados por aí, Brasil afora. As placas de inauguração, de reinauguração, comemorativas – enfim, todas elas – ajudam a entender os vaivéns dos governos e do próprio País. Sempre que as vejo, me aproximo, leio-as, conectando-me com fragmentos da História, – oficial, vá lá – mas ricos em detalhes para quem busca visualizar em perspectiva. Na manhã do sábado passado caíram chuvas intermitentes sobre a Feira de Santana. Circulando pelo centro da cidade, resolvi esperar a garoa se dispersar no Mercado de Arte Popular, o MAP. Muita gente fazia o mesmo. Lá havia os cheiros habituais – da maniçoba e do sarapatel, dos livros e cordeis, do couro das sandálias e apetrechos sertanejos – mas o que me chamou a atenção, naquele dia, foram quatro placas. Três delas solenes, bem antig...

Edinho Jacaré: O único feirense campeão brasileiro por um time baiano

  À primeira vista, o nome de Joselias da Conceição Pereira pode até passar despercebido. Quem acompanha o futebol baiano, no entanto, sabe muito bem quem é Edinho Jacaré ou, simplesmente, Edinho, lateral multicampeão baiano com a camisa azul, vermelha e branca do Esporte Clube Bahia. Poucos jogadores podem apresentar um leque tão amplo de títulos pelo tricolor: tetracampeão baiano (1981-1984), depois tricampeão (1986-1988), Edinho ostenta também o título mais importante da História recente do Bahia: o de campeão brasileiro de 1988, quando compôs o elenco que, entre outros craques, reunia Bobô, Charles, Zé Carlos e Paulo Rodrigues. São, portanto, oito títulos ao longo de nove temporadas defendendo o Esquadrão de Aço (1981-1989) e 552 jogos. À frente de Edinho com mais partidas pelo Bahia, só o carismático ídolo Baiaco e o campeão brasileiro de 1959, Henrique. A entrevista para a equipe do Digaí Feira aconteceu na residência do ex-lateral, no bairro Jardim Cruzeiro. O papo começou...