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Riqueza e cultura das feiras-livres

Há duas semanas tivemos a oportunidade de apresentar um ensaio sobre o comércio informal no centro de Feira de Santana no 37º Congresso Brasileiro de Estudos Rurais e Urbanos promovido pela faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). O ensaio que originou a apresentação foi gestado a partir de dois artigos publicados na Tribuna Feirense no início do ano. A principal ideia defendida – no artigo e no ensaio – é de que a feira-livre retornou mudada para as ruas centrais da cidade, com uma nova forma de organização espacial e com novos produtos e serviços. No debate que se seguiu à apresentação fiquei sabendo da importância que alguns estudiosos da USP atribuem a trabalhos relacionados à dinâmica de feiras-livres, à organização do comércio informal no centro da principal metrópole brasileira e, sobretudo, ao papel que esses espaços desempenham na construção ou transformação de processos culturais. É evidente que, com o crescimento das cidades e a divers...

Notícias lamentáveis

Semana passada a edição impressa da Tribuna Feirense trouxe duas notícias lamentáveis. A primeira delas é que estudantes residentes na zona rural do município têm aulas em uma casa de farinha, espaço absolutamente inadequado para que crianças ou adolescentes desenvolvam atividades escolares. A outra é que a abertura do restaurante popular no Centro de Abastecimento – o que constitui uma realização elogiável – absorveu boa parte da clientela dos restaurantes que funcionam no entreposto, levando-os ao risco de falência e à perda de muitos postos de trabalho. Ambos os fatos demonstram fragilidades dos gestores do município nos últimos anos. Feira de Santana é uma cidade que recebe recursos significativos para a manutenção do ensino fundamental através de repasses federais. E mesmo que sejam insuficientes, resta a alternativa de se investir recursos próprios, o que demonstraria o interesse dos gestores em oferecer uma educação de qualidade. É inconcebível, portanto, que jovens e crianç...

As chuvas e o discurso das secas

Longas chuvas têm caído este ano sobre boa parte da Bahia, mudando completamente o cenário que a televisão acostumou o público a ver, com animais magros, aguadas secas e paisagem ressequida. A desolação tradicional foi substituída por animais engordando, pastos verdejantes e rios que correm, caudalosos, em algumas regiões do estado. Espera-se que o milho seja abundante nos festejos juninos e que a safra do feijão também seja boa, para ficar apenas em dois dos produtos mais tradicionais da região. Infelizmente chuvas abundantes não constituem rotina no semiárido e o Brasil levou séculos para descobrir que não há fórmula para “acabar com a seca”, conforme se disse durante muito tempo, mas que o caminho mais adequado é o da convivência com o fenômeno, buscando adaptar a população e suas atividades produtivas ao clima local. Em períodos mais chuvosos, muita água se acumula em açudes e aguadas, mas com a próxima estiagem os problemas de acesso a recursos hídricos se avolumam novamente. U...

O “discurso democrático” e a prática democrática

  Embora o retorno do Brasil à normalidade democrática esteja completando um quarto de século neste mês de abril (são, portanto, 25 anos) parece que muitos ainda não se habituaram ao sentido da palavra e, sobretudo, ao exercício de torná-la corriqueira. A reunião do Conselho Municipal de Transportes (CMT), às vésperas da Micareta, atropelando qualquer possibilidade de discussão com a sociedade e visando atender com presteza o sindicato patronal das empresas de ônibus é uma demonstração de que ainda se precisa avançar muito para consolidar práticas democráticas no Brasil. Marcar uma reunião às vésperas de uma festa com feriado prolongado, com o claro objetivo de atenuar a repercussão negativa junto à população é de uma baixeza e de uma covardia difíceis de descrever. Mas piores, muito piores, foram as notas da prefeitura defendendo intrepidamente os interesses dos barões do transporte na Feira de Santana. Ocupando a condição de vanguarda do atraso em relação a muita coisa, a Bah...

Prefeitura inaugura nova “tradição” na Micareta

Simplesmente impressionantes as cenas da novela que marcam o reajuste da passagem em 2010 em Feira de Santana. Em janeiro, quando as tarifas subiram em Salvador e no transporte intermunicipal, indagamos se a oportunidade seria imediatamente aproveitada na cidade ou se iam aguardar as vésperas da Micareta, como aconteceu ano passado. Pois bem, o Conselho Municipal de Transportes (CMT) resolveu criar uma nova “tradição” na folia momesca feirense, marcando uma única reunião anual para, basicamente, discutir um único item: o percentual do reajuste. Justamente na quarta-feira que antecede a Micareta. Provavelmente escaldados com a experiência do ano anterior, representantes de entidades estudantis e movimentos sociais mantiveram-se alerta e mobilizaram-se quando a reunião foi marcada. Recebi, inclusive, uma nota por e-mail, na terça-feira e até achei o tom exagerado. Ledo engano: exagerado mesmo tem sido o esforço da prefeitura em justificar o reajuste, assumindo a defesa do poderoso...

A boa campanha dos times feirenses

É extremamente positiva a campanha dos três times feirenses no Campeonato Baiano de 2010. O simples fato de que todos conseguiram se classificar para a segunda fase da competição e que dois deles – o Bahia de Feira e o Fluminense – têm chances reais de passar às semifinais do campeonato representa uma inédita demonstração de força. Afinal, não há registro de que dois times da cidade tenham conseguido chegar entre os quatro primeiros colocados no “Baianão”. Caso confirmem classificação para as semifinais, no entanto, os times feirenses tendem a ser derrotados pelos adversários soteropolitanos. Mesmo com times medíocres, Bahia e Vitória são sem dúvida os favoritos para disputar o título, pela enésima vez desde que ambos se firmaram no cenário do futebol estadual. Isso não significa que as campanhas de Fluminense e do Bahia de Feira, principalmente, devam ser desprezadas. Particularmente em relação a esse último que conseguiu impor uma histórica derrota ao homônimo da capital por 5 a 3...

O debate eleitoral mais apropriado

Embora ainda seja março, políticos desempregados e representantes de outras categorias menos cotadas já colocaram a campanha eleitoral na rua, aporrinhando o eleitor que tem ocupações mais nobres (trabalhar, estudar, cuidar da família, etc) com discursos vazios produzidos sob encomenda por agências de publicidade. Satanizam-se adversários, mensoprezam-se realizações dos concorrentes, reforça-se o discurso da “acessibilidade” dos candidatos e do “diálogo” com o povo porque, julgam alguns, essas práticas estão em moda e aderir a “modismos” sempre ajuda em períodos eleitorais. Um vício antigo que permanece é o da promessa vazia. Começou em 1986, nas primeiras eleições do pós-ditadura militar e permanece até hoje. Saúde, educação e segurança pública são garantidas nos palanques a cada dois anos, mas infelizmente, ainda estão distantes de se constituir realidade, pelo menos com a qualidade necessária. Tanto que todo político tem plano de saúde privado, matricula os filhos em escolas part...