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Coronavírus, fé e ciência

– Meu amigo, eu não acredito na ciência, não. Eu acredito é na Palavra de Deus. Está escrito na Bíblia que a gente ia passar por isso. E está lá, em Isaías 26, no versículo 20. É só você olhar... Pensei em perguntar se ele usava celular – usa – e tomava remédio, o que também faz. São coisas criadas pela sacrílega ciência do homem, fruto de sua sabedoria secular. Mas resolvi deixar a bola passar. Melhor não gerar incompatibilidades, sobretudo num momento melindroso como o que vivemos. Estava indignado com a perspectiva de fechar seu comércio – um micromercado – em função da pandemia de coronavírus. Prosseguiu, exaltado: – Sempre que tem crise quem ganha é o grande empresário, é o banqueiro. Pobre sempre perde, ainda mais numa hora dessas. É, assumidamente, eleitor do petê e tem aversão a Jair Bolsonaro, que preside o Brasil. Mas incorporou a retórica antissistema do “mito” que seduziu tanta gente em 2018. E lança mão dela em momentos de sufoco, como agora. É fácil assimilá-la, já...

Mais uma recessão à vista no Brasil

Com a epidemia de coronavírus, são horrorosas as perspectivas para a economia brasileira em 2020. Instituições financeiras internacionais já trabalham com cenário de recessão. Aqui, a Fundação Getúlio Vargas, a FGV, estima que o tombo, no limite, pode ser muito grande: -4,4%. O governo recuou a projeção para um número simbólico: alta de 0,02%. Na prática, estagnação, na melhor das hipóteses. Mas tudo indica que vai haver mais uma recessão. O problema é que o liberalismo primitivo em moda no Brasil tem tudo para tornar as coisas ainda piores. Nesse ambiente recessivo, incentivam o corte de salários por conta da epidemia, não tomam medidas concretas para frear o desemprego e – o que é pior – seguem, vorazes, podando iniciativas essenciais como o Programa Bolsa Família, essencial para atenuar a pobreza. Caso sigam tocando este receituário insensato, vão conseguir aprofundar a recessão, penalizando sobretudo os trabalhadores e os brasileiros pobres. Não falta quem – sem cerimônia – já...

Sábado de quietude no centro de Feira

O comércio feirense parou hoje (21). Quem circulou pelo centro da cidade viu lojas fechadas, longos vazios e profundos silêncios. A quietude é rara naquela região sempre febril, agitada. Às vezes, passava um micro-ônibus vazio. No calçadão da Sales Barbosa – prenhe daquelas barracas metálicas – só os seguranças circulavam, despontando às vezes numa esquina qualquer. Desolados, os pombos saltitavam, desajeitados, aguardando um alimento improvável nestes dias de recesso. Foi o primeiro dia de fechamento do comércio em função da epidemia de coronavírus. Dura, a medida vai aos poucos sendo absorvida pela população. No começo, era comum ouvir resmungos, queixas, reclamações. Mas, à medida que a epidemia se alastra, a aceitação cresce. Mesmo com os inequívocos impactos econômicos que virão. Alguns tentam burlar a determinação que impede a circulação de passageiros. Ontem, automóveis recrutavam retardatários ali na avenida José Falcão, na famosa saída para Serrinha. Gente que ia para Con...

Pandemia freia o afã viajante do feirense

Todo cronista, em algum momento, escreve uma crônica sobre a falta de assunto. Algumas delas se tornaram clássicas na literatura brasileira. Caso algum deles aportasse aqui na Feira de Santana nos últimos dias, não poderia reclamar da escassez de matéria-prima. Ao contrário: as novidades se avolumam num turbilhão que é difícil de acompanhar. Talvez se estafassem na tarefa, tentando exaurir todos os assuntos. Tudo em função da epidemia de coronavírus. Amanhã (20), por exemplo, o Terminal Rodoviário estará interditado. Fato raro. É mais provável que seja, até mesmo, inédito. Na cidade comercial da Feira de Santana – consagrada pelo incessante ir-e-vir de gente na faina de comprar e de vender – durante 10 dias ninguém chega nem sai utilizando transporte coletivo. Nem mesmo aquelas vans – o famoso transporte alternativo – será permitido. Cresci encantado com uma particularidade da Feira de Santana: aqui as chegadas e as partidas não são só comuns: são quase a regra, flertam com um imp...

Comerciantes se antecipam ao fechamento do comércio

No começo da tarde de hoje (20) nuvens azuladas cobriam o céu feirense. Sob elas, corriam fiapos esbranquiçados de nuvens curtas. Quem observava tinha dificuldade de prever se choveria ou não. Aquela densa camada encobria o sol e filtrava uma luz baça, estranha, quase cinematográfica. Só que o calor se mantinha rijo e, nas têmporas dos escassos transeuntes, adivinhavam-se gotículas de suor. O cenário de fim de verão, porém, não era o mais importante naquele início de tarde. Os fenômenos climáticos assumem tons até ordinários nos dias tormentosos que correm. Assim, mais importante foi observar o que se desenrolava pelas ruas, com toda a sua intensa dramaticidade. Nelas, se via que muita gente se antecipou ao fechamento do comércio e cerrou as portas desde já. A medida, adotada pela prefeitura, se deve à epidemia de coronavírus e estima-se que vá se estender por, pelo menos, uma semana. Aquele ar libertário das tardes de sexta-feira não se notava pelo centro da cidade. Ali na Senhor...

Ao “mito”, as panelas

Elas voltaram. Depois de uma longa inatividade, a turma das panelas resolveu reocupar as varandas gourmet , desta vez contra o Jair Bolsonaro , o “mito”. Nas últimas duas noites os protestos foram intensos em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Recife. É o que se vê no noticiário. A epidemia do coronavírus – que o “mito” considera histeria, bobagem amplificada pela imprensa – foi o gatilho que deflagrou os panelaços. O movimento tem algo de inusitado: muitos dos que se manifestam fizeram o mesmo contra o petê em 2016 e, obviamente, ajudaram a eleger o “mito” dois anos depois. O desdém de alguém que ocupa a presidência da República pelo mais grave problema de saúde pública no País nas últimas décadas é espantoso. As reações não são à toa. Muita gente está aí, desesperada, com medo da epidemia e, ao mesmo tempo, sem saber o que fazer para garantir o sustento da família. São autônomos, microempreendedores, camelôs e ambulantes que, com o para...

Feirense já se retrai com epidemia de coronavírus

A cotação do dólar segue nas nuvens. E a economia chinesa registra inédita retração depois da epidemia de coronavírus que impôs a paralisação das atividades econômicas para contê-la. Isso não vai se restringir às fronteiras do distante país asiático. É uma questão de tempo para os reflexos se espraiarem pelo planeta e, lá adiante, chegarem aqui, à Feira de Santana. Quem nunca saiu do Brasil – e às vezes, nem da Bahia – acaba afetado porque, hoje, a economia brasileira é muito articulada à chinesa. Dólar mais alto – não se sabe quando vai começar a cair a cotação e a até que nível – é sinônimo de importações mais caras. Tudo indica que, com esse movimento, parte da oscilação cambial seja repassada ao consumidor. O que isso significa? Preços finais mais elevados. Vão pesar no bolso do brasileiro essas turbulências. Por aqui, a contração na economia está apenas começando. Pelas ruas da Feira de Santana já se percebe que o movimento diminuiu. Muita gente está ficando em casa – sobretu...