Eles começam a labuta logo às primeiras horas da manhã. Muitos saem de casa quando ainda está escuro e, silenciosos, vencem as grandes distâncias que separam os lares pobres da periferia dos pontos de ônibus que conduzem às regiões nobres da capital, aonde se concentram as oportunidades de trabalho e renda. Outros tantos, mais afortunados, residem nas inúmeras comunidades carentes encravadas nas imediações dos bairros nobres. Poupam-se, portanto, dos penosos e intermináveis deslocamentos na metrópole engarrafada. Os ambientes nos quais lutam pela sobrevivência são muito diversos: os corredores dos ônibus que circulam pela capital, as calçadas fervilhantes de transeuntes próximas aos shoppings, as estações e terminais de transporte urbano aonde os passageiros se acotovelam, os becos estreitos do ce...