“Prenderam um colega de vocês. Um rapaz que entrega o jornal”. O aviso foi dado pelo próprio carcereiro, numa manhã de 1997, no Complexo Policial Investigador Bandeira, à equipe de reportagem do extinto jornal Feira Hoje. Instantes antes o jornaleiro descera algemado do compartimento da viatura. Fomos à antessala da carceragem – suja, escura, malcheirosa – entender o que se passava e verificar que crime o rapaz cometera. Lá, já se submetia ao procedimento padrão: apontava nome completo e endereço, enquanto se despia, pois os presos eram confinados nas celas trajando apenas cueca. A circunstância da prisão era pitoresca: flagraram-no com um poodle sob o braço. O cão, segundo denunciaram os donos, fora surrupiado numa casa na qual o rapaz acabara de entregar o jornal. Momentos após uma ligação para a Polícia Militar, o jornaleiro foi detido numa rua próxima. Assim narrou o próprio rapaz. Naquela ocasião o que me surpreendeu foi a reação do carcereiro, calejado agente da Pol...