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Inferências sobre o Mercado de Trabalho (III)



               
                 A bola ainda não rolou para a disputa da Copa do Mundo de 2014 e o som alegre das sanfonas juninas pouco ressoa pelo Nordeste, mas alguns dos principais temas da campanha eleitoral – que só  começa mesmo pra valer em julho – já estão na rua. Por um lado, a antecipação do debate pode provocar paralisia nas gestões em curso, comprometendo o desempenho dos governantes de plantão. Mas, por outro, permite que se conheça com razoável antecedência o que pensem os pré-candidatos, particularmente aqueles que almejam a presidência da República.
                Um tema que deveria despertar a atenção da maioria do eleitorado é a política de reajustes do salário-mínimo. Nos últimos anos, pela primeira vez, se adotou uma proposta clara de majoração: soma-se o percentual da inflação (que nada mais é que a reposição das perdas) com o percentual do crescimento do PIB de dois anos antes, alcançando-se o índice de reajuste.
                Essa política vigorou entre 2011 e 2014. Além de transparentes, as regras adotadas beneficiaram claramente o trabalhador que recebe o salário-mínimo e que, desde sempre, nunca usufruía dos benefícios do crescimento econômico. Com a eleição presidencial de 2014, o próximo mandatário é quem vai definir que critérios serão adotados para os reajustes, o que significa que as coisas podem mudar.
                Economistas ligados ao PSDB aproveitaram o vácuo e já lançaram suas opiniões: para eles, o valor do salário-mínimo se elevou muito nos últimos anos. É chegado o momento, portanto,  de frear esse crescimento e compatibilizá-lo com a expansão da produtividade do trabalhador. São observações muito convergentes com o que praticava o PSDB em meados da década de 1990, quando governava o Brasil.
                Antecipação
                Aécio Neves, pré-candidato do próprio PSDB, no entanto, se antecipou ao desgaste: decidiu elaborar um projeto de lei propondo a replicação da mesma política atual até 2019, quando se encerra o mandato do próximo presidente da República. Eduardo Campos (PSB), por sua vez, também já assegurou que pretende reajustar o mínimo acima da taxa de inflação anual.
                Por enquanto, o PT conserva o trunfo de primeiro implementar a política que os principais adversários pretendem manter. É o que se desenha com a fórmula de elevação do salário-mínimo e, também, com o Bolsa Família. Mas vale lembrar: em 2002 aconteceu o mesmo, com o PT se comprometendo a manter a estabilidade monetária alcançada na era tucana de Fernando Henrique Cardoso.
                Aparentemente, portanto, os reajustes do salário-mínimo devem permanecer acima da inflação. A medida é salutar não apenas para os próprios trabalhadores, mas sobretudo para as regiões mais pobres do País, onde o mínimo constitui a tônica do mercado de trabalho e das políticas de transferência de renda.
                Feira de Santana
                O salário-mínimo é fundamental para a economia da Feira de Santana também. Boa parte dos trabalhadores locais é remunerada dessa forma: 52,9% da força de trabalho feirense (estimada em 292,2 mil pessoas em 2010) recebiam até um salário-mínimo. Além disso, a presença constante de beneficiários de programas de transferência de renda no comércio feirense, oriundos de municípios vizinhos, reforça essa relevância.
                A elevação do poder de compra de quem recebe o salário-mínimo aquece a economia e induz a geração de mais postos de trabalho, o que repercute na redução das taxas de desemprego. Em suma, constitui um ciclo virtuoso que, na última década, contribuiu para a redução da pobreza e da miséria no País e também na Feira de Santana.
                Caso, nos próximos anos, a política de reajuste adotada pelo próximo presidente da República seja menos favorável a esses trabalhadores, o município vai sofrer impacto direto, com redução no ritmo do comércio e do setor de serviços. Eis porque é particularmente relevante discutir o tema na Feira de Santana...

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