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Preço da gasolina desconverte ultraliberal

  Era um liberal. Mais: um ultraliberal. Um privatista. Um fervoroso fiel da fé de que o Estado é viciosamente ineficiente e a iniciativa privada competente e competitiva por princípio, por motivação intrínseca. Não, o homem não estudou em Chicago, nem em nenhuma dessas prestigiosas faculdades de Economia espalhadas pelos países ricos. Na verdade, provavelmente estudou pouco: quando um interlocutor indagava, torcia a conversa, o olho brilhando um brilho de rancor e recriminação. – Estado mínimo, a carga tributária é alta, exploram a gente! – Recitava. Exibia um antigo aparelho celular, mas, manuseando-o, demonstrava pouca intimidade com a tecnologia. De onde vinham aquelas noções difusas, aquelas frases feitas, aquela leitura maniqueísta do papel do Estado? Muitos hoje se instruem lendo tweets , assistindo vídeos no Instagram ou absorvendo frases feitas nos cards do Facebook . Os mais letrados enveredam por encarniçados debates nessas mídias. Mas ele, não. – A gente paga ...

Vacinação avança, mas a variante ômicron também

  Analisando-se os dados recentes da Covid-19 na Feira de Santana, percebe-se que o município segue na mesma toada. Por um lado, a vacinação avança e os números são superiores até à média nacional. Por outro lado, a altamente contagiosa variante ômicron espalha-se com velocidade impressionante, embora a quantidade de óbitos e internações esteja bem aquém das ondas anteriores da doença. O vacinômetro mantido pela prefeitura informa que, até ontem (09), 531,1 mil pessoas havia iniciado o esquema vacinal com a primeira dose. Isso corresponde a aproximadamente 85% do total da população feirense, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, em 624,1 mil pessoas no ano passado. O salto recente se deve ao início da vacinação infantil. Completaram o esquema vacinal – com as duas doses ou com o imunizante de dose única – 468,8 mil feirenses. É um número significativo, cerca de 75% da população. O que segue precisando avançar é a dose de reforço, que até aqui ...

Faleceu Hélder Alencar, referência da imprensa feirense

  Hoje a Feira de Santana amanheceu de luto e o jornalismo feirense ficou mais pobre. Faleceu o jornalista, procurador aposentado da Uefs e historiador Hélder Alencar. Fundador do extinto jornal Feira Hoje – um dos marcos do jornalismo impresso local durante quase três décadas –, Hélder desempenhava a função de editor-chefe da publicação nos anos 1970, época em que os impressos alcançaram seu auge mundo afora, mas também por aqui. Embora não o tenha vivido, sei que foi um período fervilhante. Considero-me um dos legatários da iniciativa de Hélder Alencar e de Egberto Costa, dois dos jornalistas fundadores do Feira Hoje: em meados dos anos 1990, já na fase final do jornal, tive a oportunidade de trabalhar na redação do Feira Hoje, à época sob a chefia do jornalista Valdomiro Silva. Foi lá que comecei esta já longa trajetória, foi lá que cursei, no batente, o jornalismo na prática. O débito com os pioneiros fundadores do jornal, portanto, é imensurável. Só muito recentemente – ...

Gastronomia e pecuária caprinas em Feira

  Basta circular para um pouco pela Feira de Santana para se deparar com os multicoloridos letreiros dos restaurantes que oferecem a legítima carne de bode assada. Ao longo das últimas décadas a iguaria se consolidou no gosto do feirense e de muitos visitantes. Isso se reflete nestes paineis coloridos, chamativos, que magnetizam a clientela. Nos restaurantes cujas mesas e cadeiras são dispostas na calçada, quem passa nota o contentamento dos que se abancam para degustar o prato. Pode-se afirmar que o bode assado é um prato típico da Feira de Santana? Pela quantidade de restaurantes especializados espalhados pela cidade, sem dúvida. Mas quem se dispõe a investigar a origem descobre que raramente a carne é da Feira de Santana ou até mesmo das cercanias: a matéria-prima é importada de cidades distantes, integradas ao polo caprinocultor baiano, um dos maiores do Brasil. Uauá e Euclides da Cunha despontam como fornecedores preferenciais da carne caprina. A primeira fica a 312 quil...

As antigas ruas de Orixás no Jardim Sucupira

  Na segunda metade dos anos 1980 o Jardim Sucupira era um loteamento recente, com amplos terrenos baldios. Fica ali nas cercanias do Cemitério São Jorge e estende-se ao sul em direção à feirinha do Sobradinho, a leste rumo às Baraúnas, margeando a oeste a hoje movimentada rua Bartolomeu de Gusmão. Naquela época remota praticamente nenhuma via era pavimentada e havia grandes silêncios, solidão e pouco moradores. A peculiaridade do bairro era os nomes das ruas. Todas elas faziam referências a Orixás, homenagem às crenças de matrizes africanas que se enraizaram na Bahia a partir do desembarque de pretos escravizados no Brasil Colônia. Entre outras, havia as ruas Xangô, Ogum de Ronda, Omolu, Oxossi Pena Branca, Ifá, Oxumaré. A partir do começo dos anos 1990 e até a primeira metade da década seguinte, sucessivos projetos de lei apresentados por vereadores foram mudando os nomes das ruas.   Isso apesar de, ainda hoje, os nomes originais constarem em mapas consultados na inter...