Era um liberal. Mais: um ultraliberal. Um privatista. Um fervoroso fiel da fé de que o Estado é viciosamente ineficiente e a iniciativa privada competente e competitiva por princípio, por motivação intrínseca. Não, o homem não estudou em Chicago, nem em nenhuma dessas prestigiosas faculdades de Economia espalhadas pelos países ricos. Na verdade, provavelmente estudou pouco: quando um interlocutor indagava, torcia a conversa, o olho brilhando um brilho de rancor e recriminação. – Estado mínimo, a carga tributária é alta, exploram a gente! – Recitava. Exibia um antigo aparelho celular, mas, manuseando-o, demonstrava pouca intimidade com a tecnologia. De onde vinham aquelas noções difusas, aquelas frases feitas, aquela leitura maniqueísta do papel do Estado? Muitos hoje se instruem lendo tweets , assistindo vídeos no Instagram ou absorvendo frases feitas nos cards do Facebook . Os mais letrados enveredam por encarniçados debates nessas mídias. Mas ele, não. – A gente paga ...