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Novo imbróglio envolvendo o transporte público

Mais um furdunço sacudiu o controverso sistema de transporte público da Feira de Santana essa semana: um desembargador concedeu liminar autorizando uma cooperativa de vans de Salvador a realizar o transporte de passageiros na cidade. Notícias indicam que são 190 vans. A decisão não é definitiva, porque se trata de uma liminar, mas já causou rebuliço: motoristas das empresas de ônibus chegaram a ensaiar uma paralisação na quinta-feira (08), mas recuaram. Os cooperados pleitearam prestar o serviço em bairros da periferia feirense. Campo do Gado, Aviário, Pedra Ferrada, Viveiros e Alto do Papagaio figuram entre as localidades que contariam com o serviço. A posição oficial da prefeitura é de que vai se mexer para derrubar a liminar. O transporte público na Feira de Santana é prenhe de episódios pitorescos. Anos atrás houve uma paralisação prolongada que se arrastou por intermináveis dez dias. O que fez o feirense no meio daquele salseiro? Improvisou recorrendo aos táxis, às motos, às ...

Ataques a nordestinos exigem reação

O Nordeste já teve líderes políticos melhores. Daqueles que não deixariam as sistemáticas agressões de Jair Bolsonaro à região passar incólumes. O “mito” começou chamando os governadores nordestinos de “paraíbas”, pejorativamente, e, no início da semana, fez novas referências àquilo que ele chama de “cabeça chata”, também em tom depreciativo. Com o deserto de lideranças políticas de expressão, ninguém se manifestou. Pelo menos de maneira contundente. Houve silêncio também em relação a um absurdo ainda maior: o “mito” condicionou a liberação de recursos ao reconhecimento público dos governadores. Noutras palavras: nosso heroi pretende, desde já, que os chefes do Executivo da região convertam-se em seus cabos eleitorais, preparando terreno para 2022, quando pretende sacramentar sua gestão disputando a reeleição. Como se ele, de maneira autocrática, pudesse definir para onde vai o dinheiro que todos os brasileiros pagam na forma de impostos. Comporta-se como se fosse o “dono” do orça...

Retrato da indústria e da administração pública na crise em Feira

A crise econômica que se arrasta desde meados de 2014 causou estragos também sobre a indústria feirense. Dados disponibilizados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do então Ministério do Trabalho, indicam retração no número de estabelecimentos instalados no município e, também, na quantidade de empregos. Segundo o levantamento, em 2014, havia 1.330 indústrias do setor de transformação na Feira de Santana. Três anos depois esse número caiu para 1.164. São 166 empresas a menos no intervalo. A retração se refletiu sobre o volume de empregos, que declinou de 20,5 mil para 17,7 mil. Foram exatos 2.776 postos a menos, considerando idêntico intervalo. Só o salário nominal melhorou: passou de R$ 1.598,06 para R$ 1.943,71. Houve encolhimento também na quantidade de empresas de serviços industriais de utilidade pública. Eram 13 em 2014 e caíram para 12 três anos depois. O estoque de empregos, evidente...

Retrato do comércio e dos serviços em Feira na crise

Basta andar um pouco pela Feira de Santana para perceber como há placas de “aluga-se” e “vende-se” à frente de estabelecimentos comerciais. Quase todos estão fechados. Desdobramento da terrível crise econômica que assola o Brasil há quase cinco anos, essa realidade já foi objeto de diversos comentários neste espaço. Até aqui, porém, as análises se davam com base na intuição, sem um conjunto mais consistente de informações. Dados recentes disponibilizados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) confirmam essa impressão. Entre 2014 – último ano do soluço de prosperidade – e 2017, terceiro ano do engasgo econômico, o número de estabelecimentos comerciais na Feira de Santana caiu: passou de 6,1 mil para 5,9 mil. Essa redução repercutiu sobre o mercado de trabalho: a mão de obra empregada declinou, despencando de 40,2 mil para apenas 36,9 mil postos formais ocupados. Não houve redução nominal no valor médio dos salários do setor. Ao contrário: este passou d...

“Mito” anseia passar de vilão a vítima

Alguns precipitados começam a pregar o impeachment de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), o “mito”.  Discordo: é bom que o “mito” siga alimentando essa ruína, ao longo do mandato para o qual foi eleito. Isso, claro, se não vier aí pela frente algo muito mais grave, o que não pode ser descartado. Sobretudo porque, nos últimos dias, o destempero verbal do nosso heroi transitou da grosseria habitual para absurdos maiores, como insinuar que sabe o destino de um desaparecido político. Todos percebem que o “mito” opera num cenário dicotômico, de bem e de mal, de vítima ou de algoz. Despejando absurdos todos os dias – nem vale a pena recapitular o que já foi regurgitado – ele vem cumprindo o papel de algoz. Tentar apeá-lo do poder agora vai fazê-lo se travestir de “vítima”, o que parece ser o seu anseio. Levou tempo, mas muita gente está percebendo que o governo não vai além do que está aí na prateleira: grosserias, agressões, clichês, demagogia e populismo rasteiro de extrema-direita. Além, c...

O horror de Altamira em um vídeo de celular

No início da tarde de ontem (29) recebi um vídeo que, segundo quem compartilhava, foi feito na cadeia de Altamira, lá no Pará, durante o massacre que vitimou 57 presos, na manhã do mesmo dia. Chegou logo depois que o assunto ganhou as manchetes de todos os sites e telejornais do País. É difícil encontrar palavras que traduzam o horror que se desenrola em ínfimos 17 segundos. Logo no começo é possível identificar o vozerio grosseiro, grave, típico dos espaços de confinamento. A câmera foca cinco cabeças dispostas junto a uma parede. É possível perceber que os decapitados são gente muito jovem. Um deles até exibe um corte da moda, estilo moicano, desses que a garotada adota com frequência. “É nóis, é nóis”, berra alguém, talvez o próprio cinegrafista. Depois aparece uma mão fazendo um gesto de celebração ou de deboche. Mais uma cabeça é lançada sobre as demais: um barbudo, com o rosto ensanguentado. Agora, só ali, são seis infelizes decapitados. A contabilidade oficial apurou 16 cab...

“Mito” anuncia duplicação do Anel de Contorno

Na polêmica visita a Vitória da Conquista, ontem (23), Jair Bolsonaro, o “mito”, anunciou a duplicação do Anel de Contorno da Feira de Santana.Foi o que noticiou parte da imprensa baiana. O feirense,escaldado, recebeu o pomposo anúncio com cautela: há décadas solicita-se, reivindica-se, promete-se e estuda-se a medida, com poucos resultados concretos até aqui. Tudo bem que, no trecho Sul do Contorno, houve duplicação há alguns anos, diminuindo o caos reinante justamente onde os congestionamentos são mais tormentosos. Mas é pouco para as necessidades da Princesa do Sertão. Anuncia-se que, no Plano Diretor que a Câmara Municipal vai apreciar em breve, está previsto um anel rodo-ferroviário com extensão total de 64 quilômetros. Ficará, portanto, bem afastado da conturbada área urbana do município. Não conheço detalhes, mas, a princípio, a ideia parece sensata: é necessário afastar o intenso fluxo de veículos que cortam a cidade do trânsito urbano, facilitando a vida de quem reside na F...