Decorridos seis meses do novo regime, quem se fia no discurso corrente pode já ir ficando tranquilo: a partir de agora, tudo vai engrenar no Brasil. Multidões de investidores ávidos despejarão em solo tupiniquim seus dólares, gerando milhões de empregos e bilhões em riqueza. Ingressaremos numa vertiginosa era de prosperidade. Para azeitar tudo, bastará sair privatizando o que resta do patrimônio público. Também pagaremos poucos impostos. Com as privatizações, finalmente teremos serviços de primeiro mundo. E tudo a preços módicos, nada dessas tarifas extorsivas cobradas pelo Estado. Será divino: carga tributária de paraíso fiscal e serviços públicos com qualidade nórdica. E melhor ainda: sem os deploráveis vícios socialistas do norte da Europa. Água farta e barata, saneamento em todos os quadrantes, estradas irretocáveis, hospitais cinematográficos, educação compatível com aquela ofertada nos países mais prósperos. Estamos a um passo disso: basta reduzir a presença do Estado e remo...