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O desafio do saneamento em Feira

                          Saneamento Básico é tema que ainda desperta pouca atenção da sociedade brasileira. Uma das razões, aponta a opinião quase unânime, é que fica sob a terra; ficando sob a terra, invisível, rende poucos votos para a classe política. Sendo assim, sempre figura nas derradeiras posições na fila de prioridades de quem se candidata aos cargos majoritários. Logo, quem se candidata aposta sempre na surrada tríade de prioridades mais visíveis: saúde, educação e segurança pública. O saneamento – ainda que elemento essencial no âmbito da saúde – permanece à parte.             Quem carece de saneamento costuma figurar à margem da sociedade, habitando os bolsões de pobreza das grandes e médias cidades, as desprestigiadas periferias dos municípios interioranos e as áreas rurais mais pobres. Faltam-lhe, muitas vezes, o discernimento necessário para c...

Cresce o número de divórcios em Feira de Santana

                                A família se tornou um dos temas mais polêmicos do Brasil nos últimos tempos. Em termos de mobilização, equipara-se à crise econômica, às contendas épicas entre petistas e anti-petistas pelas ruas e ambientes virtuais, aos escândalos de corrupção, à goleada aplicada pela Alemanha na Copa do Mundo e às fofocas que pululam nas redes sociais envolvendo os famosos da vez. A comoção se deve à frenética peleja pela definição do conceito de família que ocorre em inúmeras arenas: nos parlamentos, nos púlpitos, nas ruas e salas de jantar e, sobretudo, nas redes sociais.                 O tema sempre foi espinhoso. Nos primórdios, coube à igreja – particularmente à Igreja Católica no mundo ocidental – a missão de conceituá-la, de zelar por seus valores e estabelecer os seus dogmas, que originaram inúmeros ...

Cultura feirense precisa de políticas inovadoras

                                      Não sou candidato a prefeito da Feira de Santana. Não sou e, sinceramente, não tenho vontade, nem vocação, para a função. Sequer mantenho filiação partidária e confesso meu profundo desânimo quando imagino os rituais que cercam o cargo: saudações e apertos de mão, discursos frequentes, conchavos de bastidores, incontáveis reuniões para encaminhar a burocracia e o interminável suceder de solenidades fastidiosas. Isso para não mencionar a indumentária: o paletó habitual, o desconfortável guarda-roupa social, mesmo quando se vai à zona rural ou ao Centro de Abastecimento, em manhãs ou tardes incandescentes de verão.             Mas, embora não alimente intenções eleitorais – no máximo, fui dirigente do Diretório Acadêmico de Economia da Uefs, em época de movimento estudantil – não me furto a p...

Transporte de qualidade exige mais que ônibus novo

Em meados de janeiro a frota de ônibus novos, pertencente às empresas vencedoras da licitação ocorrida ano passado, começou a circular com estardalhaço pelas ruas da Feira de Santana. Dizia-se – com razão – que pela primeira vez o feirense dispunha de uma frota inteira de veículos totalmente novos para circular pela cidade. Nesse sentido, não restam dúvidas que houve um avanço elogiável em relação à triste realidade que sempre caracterizou o transporte coletivo no município, sobretudo nos últimos anos. Afinal, o feirense vinha penando há tempos circulando em veículos velhos e malcuidados. A disponibilidade de veículos novos é uma das medidas mais importantes para garantir o mínimo de dignidade ao transporte público em qualquer lugar pretensamente civilizado. No entanto, ao contrário do que alguns podem imaginar, não é a única iniciativa e, isoladamente, por si só, é incapaz de assegurar o funcionamento exitoso do sistema. É a percepção que parece estar faltando na Feira de Santana...

A culpa da crise é dos barnabés

                                           Talentoso redator e cronista carismático, Rubem Braga escreveu cerca de 15 mil crônicas numa extensa e prolífica carreira jornalística.  Testemunhou a Segunda Guerra, exaltou o mar, o céu, a lua e as estrelas, injetou lirismo no cotidiano, divagou sobre o amor e as mulheres, contou inúmeros causos e encantou seus leitores rememorando a infância em Cachoeiro do Itapemirim. E, num texto inusitado, viu-se às voltas buscando confortar uma moça que, aprovada em concurso público, jamais foi convocada para assumir o cargo e exercer suas funções.                 Episódio triste: horas de estudos intensos, embalados por sonhos e expectativas, a tensão e o medo acossando-a para, adiante, experimentar o êxtase da aprovação. Por fim, o triste desfecho: jamais foi ...

Feira perdeu, em média, 18 empregos por dia em 2015

                    Há duas semanas o brasileiro tomou conhecimento do impacto da crise econômica sobre o estoque de empregos formais no País ano passado: 1,5 milhão de vagas a menos. Quase sempre, a divulgação do número nas emissoras de tevê foi acompanhada de matérias com desempregados que, à falta de alternativa melhor, aderiram ao universo dos biscateiros. E aí tome louvação à criatividade inata do brasileiro. Mas, com pirotecnia televisiva ou não, a informação dimensionou o impacto da crise econômica sobre os trabalhadores.           Conforme analisamos com frequência ao longo de 2015, a crise eliminou milhares de empregos na Feira de Santana. Mas somente agora em janeiro o número exato foi divulgado pelo governo: precisos 6.595 postos formais a menos, num intervalo de 12 meses. Na média, são quase 550 empregos a menos por mês. Por dia, essa média atingiu 18,3. Note-se que não se trata de números...

Recordação de um olho d’água do Sobradinho

                                     Vá lá que, com a idade e o passar do tempo, a mente costuma adoçar o passado, arredondá-lo, aparar suas arestas, emprestar-lhe um ar mais favorável. Esse exercício de reedição do pretérito, impregnado de subjetividade, costuma ser pouco honesto: esquecemos os pequenos e os grandes aborrecimentos, tangendo os inconvenientes para os escaninhos do cérebro, de onde raramente permitimos que emerjam. Aquilo que foi bom, por sua vez, a princípio é exaltado, tratado com terna candura pela mente naquele curto intervalo de tempo posterior. Depois, à medida que o tempo amplia as lacunas na memória, nos dedicamos ao frenético esforço de reelaboração do pretérito, atribuindo-lhe cores mais vivas e mais favoráveis, recompondo o que foi esquecido, ampliando aspectos agradáveis, embriagando-o com o espírito saudosista do presente.  ...