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Um pouco da realidade rural feirense

                     Fala-se pouco sobre a realidade rural da Feira de Santana. Em geral, a abordagem enfatiza as raízes agropecuárias do município, suas origens na chamada civilização do couro, que, lá nos primórdios do século XIX, deu impulso admirável à feira-livre. Esta, tempos depois, arrebataria a condição de uma das mais importantes feiras-livres do interior do País, consolidando a Feira de Santana como principal entreposto comercial   do interior baiano. Nessa etapa, apesar da relevância do gado como produto, foi o conjunto da atividade mercantil que firmou-se no imaginário como elemento dinâmico.                 A partir dos anos 1960, com a implantação das primeiras grandes unidades industriais no CIS, a dimensão urbana afirmou-se de maneira irrefreável, relegando o rural e o agropecuário a um pl...

O transporte atual na Região Metropolitana

É redundante falar sobre a importância dos transportes para a Feira de Santana. Afinal, foi o contínuo ir-e-vir dos sertanejos, desejos de comprar e vender na feira nova que ia se expandido, lá nos primeiros anos do século XIX, que impulsionou o crescimento do modesto arraial que, quase dois séculos depois, até já alcançou o status de Região Metropolitana. Sem o comércio do gado que abastecia de carne o Recôncavo e a capital baiana e sem a infinidade de gêneros e até produtos importados que se ofereciam à freguesia, a Feira de Santana permaneceria uma vila pacata pelo menos até o século XX. Mesmo com esse constante ir-e-vir, a infraestrutura de transportes disponível à época era muito ruim. Limitava-se aos caminhos do gado no século XIX e a uma ou outra estrada que um capitalista visionário rasgava, com recursos próprios. Ir a Salvador e voltar, então, era aventura que exigia a disponibilidade de pelo menos três dias.   A relevância que a Feira de Santana foi assumindo...

A essência criativa do Carnaval de Salvador

                Exatamente no Carnaval em que o chamado Axé Music completa 30 anos, não se fala noutra coisa que não seja a revitalização da folia momesca em Salvador. As preocupações são justas: nos últimos anos, a festa baiana mergulhou em uma letárgica mesmice, enquanto os carnavais de Olinda, em Pernambuco, do Rio de Janeiro, e até de São Paulo, reinventaram-se, resgatando uma energia que a rotina e a previsibilidade arrefeceram.                 Embora a constatação seja quase unânime, as opiniões sobre o que deve ser feito são divergentes, até antagônicas, em alguns casos. Há quem atribua o declínio ao envelhecimento dos astros do Carnaval – muitos tornaram-se respeitáveis cinquentões – e à não renovação da constelação de estrelas; alguns enxergam culpa nos blocos outrora tão badalados e suas cordas excludentes; e há quem...

Oposição quer importar impeachment do Paraguai

                               Ainda bem que vem chegando o Carnaval. Não que eu seja movido por uma ânsia foliã: é que os cinco dias do reinado momesco vão representar uma trégua passageira no infindável terceiro turno das eleições presidenciais. Explique-se: findo o processo eleitoral e proclamado o resultado das urnas, a oposição mergulhou em uma espiral conspiratória, à cata de uma justificativa para o impeachment de Dilma Rousseff que, talvez, arrefeça um pouco durante o reinado do Momo.                   Primeiro, toscamente, contestou-se o resultado das urnas e o PSDB requereu uma auditoria visando apreciá-lo mais amiúde. Pelo visto, essa estratégia não rendeu o esperado. Depois, foi a vez de se contestar as contas da campanha presidencial: também s...

Números da religião na Feira de Santana

Religião sempre foi tema espinhoso. Tanto que circula por aí uma máxima popular que lista três temas-tabu acerca dos quais é bom evitar discussão: política, futebol e – como é previsível – religião. Paradoxalmente, eventuais polêmicas em torno dos dois primeiros temas são compreensíveis: no futebol, centenas de equipes disputam a simpatia dos torcedores, pulverizando preferências e, por esta razão, despertando apaixonadas e inconclusivas discussões. A política, por sua vez, segue uma regra tautológica: se há governo, logo, há oposição. Mesmo minúscula ou lipoaspirada pelos encantos dos cofres públicos. Sendo assim, há debate e divergência. Na seara da religião, no entanto, diversidade é coisa recente no Brasil. É que, ao longo de séculos, a Igreja Católica exerceu monopólio quase exclusivo sobre corações e mentes daqueles que pleiteavam conexão com o divino. Logo, divergência era coisa isolada. Isso até aproximadamente meados do século XX, quando os brados exaltados dos past...