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A fusão entre o bolsonarismo e o “centrão”

É patético o retorno do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ao cenário político brasileiro. Voltou logo em grande estilo: empunhando um fuzil e prometendo caçar os “comunistas”. Agora, é dedicado aliado de Jair Bolsonaro, o “mito”. No passado, ele foi leal a Fernando Collor até os estertores, no longínquo impeachment, em 1992. Depois, navegou sem constrangimento no “mensalão” petista. Lá adiante, se converteu num loquaz delator. Mesmo assim, não escapou de uma temporada na cadeia.

Nas mídias sociais – esses cemitérios da sensatez – os acólitos do “mito” conservam um silêncio constrangedor depois da controversa aliança. Afinal, até outro dia eles desancavam o difamado “centrão” que Jefferson representa tão bem. Internautas maldosos dizem que, disciplinados, os discípulos do “mito” aguardam a versão do “gabinete do ódio” para saírem, desembestados, defendendo a parceria. Que, no fundo, nem é tão heterodoxa.

Imagino que, nos próximos dias, eles vão assimilar a guinada. Afinal, o “mito” é o “mito” e a palavra dele basta. Pelo menos para os seus acólitos. E daí? Estes se lançarão às ruas com camisetas verde-amarelas com a carranca de Roberto Jefferson estampada na frente. A devoção exigirá mais: Valdemar Costa Neto (PL-SP), Arthur Lira (PP-AL) e Gilberto Kassab (PSD-SP) também figuram no acordo. Nada mais justo, portanto, que sejam homenageados.

Oportunidades não tem faltado para homenagens. Todo final de semana os acólitos de Jair Bolsonaro se reúnem – aqui, ali, alhures – para exigir golpe militar e ditadura. Na visão deles, só assim para mudar o Brasil. Que projeto de País eles defendem? Aquele que o “mito” defender no momento. Como o “mito” e instável, eles resolveram simplificar: pegam em lanças pelo que ele defender naquele instante. E só. Explicação demais é coisa de degenerado intelectual.

Confesso que, em alguns momentos, a fauna que integra a claque do “mito” até diverte. Há incontáveis subconjuntos: dos histriônicos, dos rancorosos, dos recalcados, dos infelizes, dos fanáticos, dos fundamentalistas e por aí vai. Muitos agregam características de diversos subconjuntos. O que há de universal é o pretenso nacionalismo patético. E delirante.

Alguns, espertos, aferram-se ao verde-amarelo para defender seus interesses pessoais. Malandramente, confundem suas conveniências particulares com a Pátria. Quem é louco de ir contra a Pátria? O apelo à Pátria escuda esses espertalhões. O problema é que, a partir de determinado momento, as pessoas começam a ficar espertas e enxergam a fraude. E também cansam, porque o espetáculo, apesar de espalhafatoso, é repetitivo.

O problema é que enquanto essa gente expõe suas bizarrices, o País, tentando contê-los, desperdiça uma energia que deveria estar sendo canalizada para o combate ao coronavírus. Mais de 10 mil brasileiros já morreram com essa tragédia e muitos outros, infelizmente, ainda vão morrer. A claque duvida dos números e tripudia da dor.

Esse tipo de demência ainda vai dar muito trabalho até que o País restabeleça sua saúde política. Isso se conseguir.


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