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A aridez de ideias nas eleições 2018

A reforma da Previdência sumiu do noticiário desde fevereiro. É curioso: até então, havia a mais completa histeria sobre o tema. Parecia que, caso se retardasse o desfecho por mais um punhado de meses, o País mergulharia num caos irreversível. Sem dispor de votos para aprovar sua proposta polêmica, Michel Temer (MDB-SP), o mandatário de Tietê, sacou a intervenção federal no Rio de Janeiro da algibeira para disfarçar sobre o fracasso iminente na votação. E todo mundo – sobretudo a imprensa – que antes gritava, silenciou.
É evidente que o Brasil precisa reformar seu sistema previdenciário para torná-lo sustentável no longo prazo. Só que é preciso respeitar direitos, revogar privilégios injustificáveis de determinados segmentos e facilitar que mais brasileiros contribuam e tenham acesso ao sistema. Exatamente o que não prevê a atabalhoada – e pouco debatida – reforma concebida pelo emedebismo.
Mas o que pensam os postulantes à presidência da República sobre o tema? Até aqui, limitam-se a cultivar platitudes. Alguns certamente pretendem encampar a nociva proposta que está aí colocada, mas recorrem a um silêncio ardiloso para não assustar os eleitores desavisados. Outros, pelo jeito – os mais limitados intelectualmente –, não tem sequer o que dizer.
O silêncio constrangedor não se limita ao tema previdenciário. Que medidas serão adotadas para reverter a mais longa e profunda recessão das últimas décadas, legadas por Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer? O que os presidenciáveis têm a dizer aos 13 milhões de brasileiros que estão desempregados? E àqueles cuja renda vem sendo comprimida pelo cenário recessivo? Quase nada de aproveitável veio à tona até agora.
Esse metafórico Raso da Catarina em termos de ideias aplica-se, também, ao cenário eleitoral baiano. Que ideias defendem aqueles que pretendem ocupar o Palácio de Ondina pelos próximos quatro anos? Quais os grandes projetos que se deseja implantar, que ideias-força moverão a próxima gestão? Só com muita boa vontade para se admitir que, até aqui, existe um embate de projetos. No máximo, há o burburinho em torno de nomes.

Desemprego na Bahia

A capital baiana, Salvador, exibe – há décadas, diga-se de passagem – o triste título de campeã nacional do desemprego. Em termos absolutos e relativos, a Bahia é um dos estados que abriga mais pobres no Brasil. Isso já serviu de mote em campanha eleitoral, já desgastou governante, já alavancou candidatura, mas nada mudou. Pelo contrário: com a recessão legada pelos últimos governos desastrosos, o cenário piorou.
Boa parte das atividades produtivas da Bahia concentra-se em faixas limitadas, normalmente restritas à capital, ao entorno da Baía de Todos os Santos e às maiores cidades do interior. O que pensam sobre isso os candidatos a governador? Pretendem incentivar a desconcentração? Mas de que forma? Seria bom que debatessem o tema publicamente, expusessem suas ideias.
Como todos sabem aqui se mata em escala genocida. O negro jovem, pobre, desempregado, residente na periferia figura como a principal vítima. Toneladas de estatísticas atestam essa realidade, todos os anos. Além dos protocolares elogios às polícias, o que pretendem fazer os futuros governantes? Sobre o tema, aliás, a resposta para uma única pergunta já iluminaria muita coisa: será que se considera normal a taxa de homicídios na Bahia? Quem tiver uma resposta, já sai à frente.
Há muitos temas adicionais que exigem um bom debate. A saúde e a educação – questões candentes -, por exemplo, seguem pouco discutidas, embora badaladas no marketing. Eleição é sempre uma oportunidade boa para o debate, embora quase sempre perdida. Essa se reveste de importância adicional, em função das crises, embora até aqui persista o metafórico Raso da Catarina em termos de ideias...

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