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Bolsa-Família: êxito e reflexões

Informações divulgadas há alguns dias pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) confirmam que a Bahia foi o estado mais beneficiado pelo Programa Bolsa-Família em 2006. Do total de recursos destinados ao programa, cerca de R$ 1 bilhão (ou 13,2% do total) foram direcionados para o estado. Bastante à frente de Minas Gerais (com R$ 752 milhões), São Paulo (R$ 673 milhões) e, mais distantes, Pernambuco e o Ceará. Coube ao Nordeste a maior fatia (52,5% ou R$ 3,95 bilhões).
Feira de Santana está entre os municípios contemplados pelo programa. Conforme dados do MDS, no ano passado foram concedidos 40.790 benefícios, distribuídos entre bolsa-escola, auxílio-gás e bolsa-alimentação.
O órgão calcula que há exatas 45.206 famílias com renda per capita inferior a R$ 175 e que 43.518 possuem renda per capita inferior a R$ 120. Com base nessas informações constata-se que o grau de cobertura do programa junto à população apta para o benefício é elevado.
Outro aspecto positivo é que a eficiência do Bolsa-Família no Brasil é considerada muito satisfatória. Avaliações de organismos internacionais indicam que 75% dos contemplados com o programa realmente estão na faixa dos mais necessitados. E, somando os que estão entre o público-alvo e os que estão nos limites (os que têm renda próxima da linha definida pelo governo para concessão do benefício), o percentual supera os 90%. Completando o leque de informações alvissareiras, constatou-se que a redução da pobreza no Brasil se deve de fato a programas como o Bolsa-Família.

CAUTELA

Esse conjunto de boas notícias, porém, deve ser avaliado com cautela. No curto prazo os resultados são inegavelmente elogiáveis, já que milhões de famílias têm acesso à alimentação graças aos programas de transferência de renda, atenuando os efeitos da pobreza absoluta. É uma medida emergencial que incluiu milhões de excluídos, mas que não passa de uma medida emergencial.
Quando se busca pensar o Brasil no longo prazo essas políticas perdem nitidez, simplesmente porque não constituem soluções de longo prazo. Às transferências de renda devem-se somar políticas públicas de saúde e educação, combinando-as com um ambiente econômico favorável ao crescimento. É o que falta ser feito no Brasil nos próximos anos, mesmo com alguns avanços na expansão do acesso à educação e à saúde.
Ao se traçar o perfil dos beneficiários dos programas assistenciais percebe-se a importância de políticas públicas de saúde e educação, principalmente dessa última. Normalmente são pessoas com baixo nível de escolaridade e que enfrentam dificuldades de acesso a bens fundamentais da vida moderna, como a água tratada e o saneamento básico. Justamente por se enquadrarem nesse perfil é que se tornam beneficiárias desses programas.

ELEIÇÕES

A reeleição de Luís Inácio Lula da Silva teve como trunfo inegável os programas de transferência de renda. Contudo, esses atenderem as necessidades de um momento histórico específico do Brasil. A exclusão secular à qual o presidente tanto se reporta, foi atenuada pelo Bolsa-Família, mas ainda é muito pouco diante do quadro de desigualdades do país.
Para os próximos quatro anos permanece posto o desafio da retomada do crescimento econômico. Esse crescimento, todavia, precisa vir acompanhado de políticas públicas que incluam também os beneficiários dos programas assistenciais. E, para isso, basicamente só com acesso a educação e saúde, desafio que permanece posto.
O debate eleitoral, no entanto, esteve muito fora de foco. Perplexo, o eleitor brasileiro testemunhou uma campanha eleitoral que contrapôs dois grupos distintos: o dos que expandiram os programas de transferência de renda (mas que não foram muito além disto) e o dos que nunca fizeram grande coisa para reduzir as desigualdades sociais, mas que acusaram os adversários de assistencialismo.
Sinceramente, o Brasil precisa de um debate político mais qualificado!

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