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A seca e as políticas de transferência de renda

  Quase todos os dias os jornais, as emissoras de rádio e televisão, os sites e os blogs vem noticiando os efeitos da seca que assola o Nordeste, particularmente a Bahia, onde mais de 200 municípios já decretaram situação de emergência. A estiagem, considerada a mais rigorosa nos últimos 30 anos, arrasou plantações, vem dizimando rebanhos e provavelmente vai gerar impactos sobre diversos municípios baianos, cujas economias dependem da agricultura e da pecuária. Sem chuva, quem mais padece é a população rural, mais pobre e mais exposta ao fenômeno. Um dado positivo, no entanto, deve ser ressaltado: pelo menos até aqui, apesar de todos os problemas indicados pela imprensa, não há registros de mortes em função da seca. Situação muito diferente do que aconteceu entre 1979 e 1983, quando um número nunca determinado de nordestinos morreu de fome e de sede. Para os governadores da época – boa parte entusiasta da Ditadura Militar em vigência – morreram 100 mil pessoas no períod...

Ecos da Lavagem do Bonfim

                                    Dizem os filósofos da política baiana que a Lavagem do Bonfim é o primeiro termômetro em ano de eleição. Na caminhada de oito quilômetros entre as igrejas da Conceição da Praia e do Bonfim, normalmente sob o sol escaldante dos finais de manhã de verão, os pré-candidatos testam a popularidade distribuindo sorrisos, apertando mãos, envolvendo o eleitorado em largos abraços e, em alguns casos, ouvindo vaias e apupos de eleitores insatisfeitos. O mais comum, no entanto, é o abraço entusiasmado de quem promete marchar com o candidato da vez. Cordato por natureza, o povo baiano não é muito dado às manifestações de insatisfação. Essas não costumam ser frequentes: a mais recente delas já tem uns três anos e envolveu o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro e só repercutiu junto à...

...E algo se moveu no Carnaval da Bahia

... E finalmente alguma coisa começa a se mover no previsível Carnaval da Bahia. O que nos anos anteriores era apenas uma renitente reclamação de uns poucos artistas, reféns de um passado romântico e distante, ganhou o centro das discussões em 2012 e até mesmo algumas estrelas da música baiana decidiram desfilar em trios sem as tradicionais cordas. Claro que não foram movidos por altruísmo ou por convicção ideológica: fizeram-no por força dos generosos patrocínios privados. Foi o suficiente, no entanto, para se deflagrar uma discussão sobre a renovação da festa, cujo modelo se encontra esgotado há anos, incluindo a possibilidade de incorporação de um novo circuito já em 2013. Esse repensar do Carnaval alcançou, inclusive, o Rio de Janeiro, que nos últimos anos vem incorporando mudanças à folia momesca. As cordas começaram a se tornar protagonistas do Carnaval de Salvador quando os bailes dos clubes sociais entraram em declínio, junto com os próprios clubes. Como as classes ...

BR 324 e Anel de Contorno: os problemas continuam

                        Muito papel e muita saliva já foram gastos para exaltar o momento econômico vivido pelo Brasil, cujos níveis de crescimento não se verificavam desde a década de 1970. Na sucessão presidencial, por exemplo, a situação ressaltava as realizações recentes e a oposição calava-se, buscando concentrar a discussão em temas secundários, subjetivos ou irrelevantes, já que o bom momento vivido pela economia do país é incontestável.             Aqui ou ali a questão da infra-estrutura – indispensável para sustentar as atuais taxas de expansão – foi tocada, mas muito tangencialmente. A novidade em 2010 ficou por conta da promessa de Zé Serra de construir um metrô na Feira de Santana. Isso figurou nos primeiros dias da campanha, sendo posteriormente retirado das inserções televisivas, o que ajudou a colar...

Eleições emocionantes, mas sem novidades?

Tradicionalmente no mês de abril a vida da Feira de Santana entra em pausa para que o feirense possa se dedicar à folia momesca. Aqueles que não são adeptos da festa aproveitam os dias de folga para viajar ou permanecer em casa descansando, mas há também quem faça opção por retiros religiosos. Muitos outros passam os quatro dias de festa no circuito, exercendo as mais diversas ocupações. O fato é que a trégua festiva, quase sempre logo depois da semana de Páscoa, torna o mês significativamente mais curto. Em 2012, no entanto, a Micareta vai ser mais que uma oportunidade do feirense aliviar as pressões do dia-a-dia dançando atrás do trio elétrico, esvaziando sucessivas latinhas de cerveja, degustando a ampla variedade de petiscos ofertados no circuito ou, simplesmente, beijando quem se disponha a beijá-lo. Na festa, os termômetros políticos estarão a pleno vapor, aferindo as inclinações dos feirenses para as eleições municipais de outubro. O atual prefeito, Tarcízio Pimenta, sai...

Violência banalizada pode conduzir ao rearmamento

                           Um dos desdobramentos da escalada de violência que a Bahia vive desde a última semana  com o motim da Polícia Militar deve ser o rearmamento da população. No mínimo, as consagradas cenas de pessoas entregando suas armas em postos de recebimento devem sofrer um refluxo considerável. Afinal, a matança indiscriminada de mendigos, as armas apontadas contra mulheres obrigadas a descer de ônibus em avenidas movimentadas de Salvador, os saques e os arrastões e os tiros deflagrados contra agências bancárias são típicas de países mergulhados no caos que antecede os golpes de Estado.             Nada mais natural, portanto, que o cidadão indefeso e acuado em casa resolva preservar o revólver que mantinha guardado no guarda-roupas e desista de contribuir para a campanha do desarmamento;...

Violência na agenda eleitoral de 2012

               Há cerca de um ano escrevemos um artigo nesta mesma Tribuna Feirense apontando que o número de homicídios na Feira de Santana estava se expandindo a taxas decrescentes e que, em algum momento, seria alcançada uma estabilidade nos números. Nesse mesmo texto indicávamos que, a partir de então, poderia haver declínio, mas a um preço que não permitiria comemorações: afinal, o número de pessoas assassinadas a cada ano no município alcançou a absurda taxa de um assassinato por dia, em média. Isso numa cidade com cerca de 550 mil habitantes.             Os números divulgados pela Secretaria da Segurança Pública referentes à violência na Bahia em 2011, em parte, confirmam esses prognósticos. No ano que se encerrou houve relativa estabilidade na quantidade de assassinatos em relação a 2010, mas o importante é visualizar a série histórica: nessa, em cerca d...