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Eleições 2018 estão na rua, mas sem candidaturas consolidadas

Estamos ainda nos estertores de julho, de frio constante e densos nevoeiros, mas a campanha eleitoral de 2018 começa a ganhar espaço no noticiário. A rigor, ainda é muito cedo: sob condições normais, somente no último trimestre as discussões se intensificam, para ganhar espaço crescente ao longo do ano eleitoral. O desastre no qual o País mergulhou – isso, ironicamente, ainda em 2014, logo após as eleições daquele ano – com entrelaçadas crises econômica e política, arrastando-se infindáveis, precipitam o anseio por novas eleições que podem começar a pacificar o Brasil. Lula, já condenado em primeira instância, pretende se lançar numa frenética caravana nos próximos dias, mobilizando os sertões do Nordeste. Faz isso para se contrapor à condenação, mostrar-se vivo politicamente e solidificar a aposta de que reúne as credenciais necessárias para apaziguar os espíritos. Dado o cenário atual, ninguém sabe se Lula representa solução ou ingrediente adicional para estender a crise a partir ...

Reforma trabalhista revogou o salário-mínimo

Vai demorar algum tempo para o trabalhador brasileiro se aperceber do assalto aos seus direitos orquestrado a partir da revogação de parte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Câmara e Senado aprovaram a proposta de Michel Temer (PSDB-SP), o mandatário de Tietê, que já sancionou a iniciativa. A validade começa em quatro meses. Aqueles que serão contratados para as vendas de final de ano estarão entre os primeiros a sentir os efeitos. Mas isso vai se irradiar, alcançando todo mundo que trabalha sob o regime da CLT. A tragédia pode ser analisada sob inúmeras óticas. Afinal, a amplitude da ofensiva é inédita: desde o início da vigência da CLT, ainda na década de 1930, nunca se havia tentado tamanho desmanche. Aguardaram o momento de profunda desmobilização dos trabalhadores para lançar o ataque, com pleno êxito até aqui. Inúmeras análises já circulam na praça e muitas outras ainda vão aparecer. Um dos efeitos mais terríveis, por exemplo, é sobre o salário-mínimo. Não é novidad...

Peleja pelo poder em Brasília não tem “mocinhos”

Quem se orienta pelas noções do Bem e do Mal, pela eterna dicotomia entre bandidos e mocinhos, certamente tem andado desnorteado com o noticiário político dos últimos anos. Essa visão maniqueísta prevaleceu no ano e pouco que antecedeu a derrocada no petismo, até o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Pintava-se um cenário de horrores: o petismo pretendia implantar o comunismo no Brasil e gente do calibre de Aécio Neves (PSDB-MG), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Michel Temer (PMDB-SP) – calculem – é que lideraria a cruzada cristã e moralizadora. Passado um ano, exuma-se o desastre: Eduardo Cunha puxa cadeia no Paraná; Michel Temer baqueia pilhado em gravações altamente comprometedoras; e Aécio Neves, despido da aura moralizadora, verga sob uma lista de inquéritos estacionados no Supremo Tribunal Federal. Já a retórica do anticomunismo se mostrou um esperto pretexto para revogar direitos elementares dos trabalhadores e dos pobres. Foi o que se viu ontem, com a revogação da Consolidação das...

PEC do Teto de Gastos começa a fazer água

O controverso governo de Michel Temer (PMDB-SP), o mandatário de Tietê, acumula empulhações em série desde a rasteira do impeachment aplicada sobre o petismo, isso lá em maio do ano passado. Primeiro, foi o prometido ministério de notáveis: daquela espuma inicial, só restou o ministério de nulidades, que se notabilizou por exibir um repertório amplo de encrencados com a Justiça; noutro front , desde o início, mês a mês, vieram as promessas de retomada da economia: primeiro setembro, depois outubro, depois no final do quatro trimestre, depois no primeiro trimestre de 2017 e por aí vai. Até aqui, conforme se vê, só demagogia rasteira. Vieram, também, as promessas de redenção para a classe trabalhadora: ironicamente, esse paraíso ia se descortinar a partir da aprovação das reformas trabalhista e previdenciária. Muitos começaram a perceber a empulhação embutida em clichês como “flexibilização” e “modernização” que, no fundo, não passa de manobra sorrateira para revogar direitos, mas já...

Mercado de trabalho pode ter chegado ao fundo do poço

O mercado de trabalho em Feira de Santana pode ter, finalmente, chegado ao chamado fundo do poço em março de 2017. É o que, aparentemente, sinalizam os últimos números divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o MTE. Em abril, depois de uma longa série de declínio, foi extraído um saldo positivo de 194 postos de trabalho. No mês seguinte, maio, houve novo respiro: 228 empregados a mais que desempregados no saldo. O conjunto da obra no ano, no entanto, ainda é negativo: o saldo é de -859. Tudo por conta do primeiro trimestre, que sustentou o cenário nefasto registrado nos dois anos anteriores. Em janeiro, por exemplo, foram 513 empregos a menos; em março novo saldo negativo: -502. Desde então, o feirense viveu dois meses de trégua. A indústria deu parte do impulso da pausa que o governo alardeia como retomada: só na função de alimentador de linha de produção, foram 202 postos gerados no saldo; funções tradicionais também contribuíram, mas em menor escala, como serviços de l...

15 mil empregos formais perdidos desde o início da crise em Feira

Nem é preciso mais dizer que, todo dia, sai uma notícia favorável sobre a economia brasileira. Que isso ou aquilo dá sinais de melhora, que tais indicadores sinalizam para dias melhores logo ali, ainda em 2017. E que, mais adiante, as exaltadas reformas funcionarão como senha para um paraíso que, para a imensa maioria dos brasileiros, nunca vai chegar. Dose é contrapor o otimismo do noticiário com a contundência dos resultados econômicos. A fornada de números sobre o desemprego, em março, reforça a sensação de empulhação. O feirense fechou o primeiro trimestre sem razões para otimismo em relação ao mercado de trabalho: em três meses, foram precisas 1.271 demissões a mais que admissões. Isso significa que o mercado formal de trabalho continua encolhendo, mesmo com todas as promessas de redenção penduradas no noticiário. Os dados são oficiais, divulgados pelo Ministério do Trabalho. Só em março, foram 502 empregos a menos. É o saldo entre admissões (2.428) e desligamentos (2.930). O...

Crônica da cultura do encarceramento

“Vocês precisam fazer uma matéria com um rapaz que está aqui”. O pedido partiu de um servidor administrativo do Conjunto Penal de Feira de Santana, numa manhã ensolarada de 1997. À época, militando na editoria de polícia do extinto jornal Feira Hoje, visitávamos com frequência as delegacias feirenses e o próprio presídio. Nele, cobríamos rebeliões, entrevistávamos presos e autoridades, fazíamos cobertura de visitas oficiais. Mas a solicitação daquela manhã era inusitada. O rapaz era preso provisório, aguardava decisão da Justiça sobre seu destino. Órfão, durante anos ficou abrigado numa entidade assistencial para menores em Feira de Santana. Depois de adulto, foi viver num município vizinho. Era dependente de álcool. Essa condição favoreceu um dos mais absurdos encarceramentos de que já ouvi falar. “Ele furtou duas garrafas de cachaça numa quitanda. O dono descobriu e ele acabou devolvendo. Não houve nenhuma violência. Mesmo assim, foi enquadrado pelo delegado ‘calça-curta’ da cid...