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Efeitos do Bolsa Família sobre a crise


Dados atualizados até maio do Programa Bolsa Família indicam que, na Feira de Santana, existem exatamente 44.121 famílias beneficiárias do programa. Isso num universo de 50.613 famílias com perfil de beneficiárias, ou seja, cuja renda per capita não supera os R$ 137. Essas informações estão disponíveis no site do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) que aponta também que, em 2008, a população de Feira de Santana superou os 584 mil habitantes. Infelizmente não está disponível o valor exato do repasse do BF, mas a média por família passou de R$ 78,50 para R$ 85, com o recente reajuste.
Considerando que, em média, cada família é composta por quatro pessoas, pode-se deduzir que em Feira de Santana existem cerca de 176.484 beneficiários do programa. E que o montante injetado na economia feirense pelo programa atingirá R$ 3,75 milhões, aproximadamente, a partir de julho. Até o mês passado, esse valor era de R$ 3,44 milhões.
Note-se, contudo, que cerca de 27 mil pessoas consideradas com perfil de Bolsa Família – isso é uma estimativa – não são contempladas pelo programa no município. No total, existem cerca de 202 mil pessoas que, pelos critérios oficiais, estão abaixo da linha da pobreza. Em outras palavras, um terço da população feirense está exposta, em alguma medida, à pobreza e à insegurança alimentar.
Na Bahia, estimativas apontam que há 2,19 milhões de famílias pobres e 1,49 milhão são beneficiárias do programa. No Brasil, são 12,99 milhões de famílias pobres estimadas e 11,611 milhões de beneficiárias. Todos esses números foram atualizados em maio pelo MDS.

Crise econômica

A crise que abalou a economia mundial seria um verdadeiro tsunami se não existisse o Bolsa Família. Afinal, pessoas com baixo nível de instrução, residentes no campo ou na periferia das grandes e médias cidades e com crianças na família são as mais expostas aos efeitos das crises econômicas. São elas as primeiras a perder o emprego formal – se o possuem – ou a ver diminuírem suas oportunidades econômicas (através de biscates ou “bicos”) quando a economia desacelera.
Perversamente, só recuperam seus postos de trabalho ou arranjam “bicos” e biscates quando a retomada é mais acelerada. A explicação é simples: quando a economia anda bem, a tendência é que os trabalhadores mais qualificados sejam contratados primeiro, ficando os demais à espera de uma recuperação mais robusta da atividade econômica.
Nesse intervalo de tempo, sem os programas sociais, os brasileiros beneficiários do Bolsa Família enfrentariam dificuldades ainda maiores do que as já enfrentadas. Iniciado timidamente no governo de Fernando Henrique Cardoso, o programa só ganhou impulso com a gestão de Lula. Não é à toa que rumores dão conta de que o presidente “despreparado” está sendo cogitado por Barack Obama para assumir a presidência do Banco Mundial, em 2011.

Solução permanente

Desde sempre pareceu evidente que o Bolsa Família não constitui uma solução perpétua para a pobreza. Esta é um fenômeno com múltiplos determinantes e nos dias atuais, quando o sistema de proteção social brasileiro mostra-se maduro, é necessário avançar em outras frentes.
A primeira delas, já apontada por especialistas, é traçar o perfil exato dos pobres no Brasil. E, a partir desse perfil, implementar políticas que ataquem as causas da pobreza: baixa escolaridade, ausência de creches para manter crianças enquanto os pais (frequentemente a mãe) trabalham, incentivos à geração de empregos para os mais jovens, fortalecimento do cooperativismo, etc.
Em suma, as causas da pobreza são inúmeras e tem até uma dimensão cultural. Contudo, é necessário atacá-la para promover a emancipação dos indivíduos de forma sustentada, reduzindo as cruéis desigualdades sociais. Na Feira de Santana, esse é um desafio sério, dado que um terço dos feirenses convive com o problema todos os dias.

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