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Transporte de qualidade exige mais que ônibus novo

Em meados de janeiro a frota de ônibus novos, pertencente às empresas vencedoras da licitação ocorrida ano passado, começou a circular com estardalhaço pelas ruas da Feira de Santana. Dizia-se – com razão – que pela primeira vez o feirense dispunha de uma frota inteira de veículos totalmente novos para circular pela cidade. Nesse sentido, não restam dúvidas que houve um avanço elogiável em relação à triste realidade que sempre caracterizou o transporte coletivo no município, sobretudo nos últimos anos. Afinal, o feirense vinha penando há tempos circulando em veículos velhos e malcuidados. A disponibilidade de veículos novos é uma das medidas mais importantes para garantir o mínimo de dignidade ao transporte público em qualquer lugar pretensamente civilizado. No entanto, ao contrário do que alguns podem imaginar, não é a única iniciativa e, isoladamente, por si só, é incapaz de assegurar o funcionamento exitoso do sistema. É a percepção que parece estar faltando na Feira de Santana...

A culpa da crise é dos barnabés

                                           Talentoso redator e cronista carismático, Rubem Braga escreveu cerca de 15 mil crônicas numa extensa e prolífica carreira jornalística.  Testemunhou a Segunda Guerra, exaltou o mar, o céu, a lua e as estrelas, injetou lirismo no cotidiano, divagou sobre o amor e as mulheres, contou inúmeros causos e encantou seus leitores rememorando a infância em Cachoeiro do Itapemirim. E, num texto inusitado, viu-se às voltas buscando confortar uma moça que, aprovada em concurso público, jamais foi convocada para assumir o cargo e exercer suas funções.                 Episódio triste: horas de estudos intensos, embalados por sonhos e expectativas, a tensão e o medo acossando-a para, adiante, experimentar o êxtase da aprovação. Por fim, o triste desfecho: jamais foi ...

Feira perdeu, em média, 18 empregos por dia em 2015

                    Há duas semanas o brasileiro tomou conhecimento do impacto da crise econômica sobre o estoque de empregos formais no País ano passado: 1,5 milhão de vagas a menos. Quase sempre, a divulgação do número nas emissoras de tevê foi acompanhada de matérias com desempregados que, à falta de alternativa melhor, aderiram ao universo dos biscateiros. E aí tome louvação à criatividade inata do brasileiro. Mas, com pirotecnia televisiva ou não, a informação dimensionou o impacto da crise econômica sobre os trabalhadores.           Conforme analisamos com frequência ao longo de 2015, a crise eliminou milhares de empregos na Feira de Santana. Mas somente agora em janeiro o número exato foi divulgado pelo governo: precisos 6.595 postos formais a menos, num intervalo de 12 meses. Na média, são quase 550 empregos a menos por mês. Por dia, essa média atingiu 18,3. Note-se que não se trata de números...

Recordação de um olho d’água do Sobradinho

                                     Vá lá que, com a idade e o passar do tempo, a mente costuma adoçar o passado, arredondá-lo, aparar suas arestas, emprestar-lhe um ar mais favorável. Esse exercício de reedição do pretérito, impregnado de subjetividade, costuma ser pouco honesto: esquecemos os pequenos e os grandes aborrecimentos, tangendo os inconvenientes para os escaninhos do cérebro, de onde raramente permitimos que emerjam. Aquilo que foi bom, por sua vez, a princípio é exaltado, tratado com terna candura pela mente naquele curto intervalo de tempo posterior. Depois, à medida que o tempo amplia as lacunas na memória, nos dedicamos ao frenético esforço de reelaboração do pretérito, atribuindo-lhe cores mais vivas e mais favoráveis, recompondo o que foi esquecido, ampliando aspectos agradáveis, embriagando-o com o espírito saudosista do presente.  ...

Temas candentes para as eleições de 2016

Neste 2016 acontecem eleições para prefeito em todo o Brasil e, também, na Feira de Santana. Pelo que noticia a imprensa feirense, muitos nomes estão colocados – ou pré-colocados – no tabuleiro local. Alguns, mais afoitos, trombeteiam críticas ao atual prefeito, José Ronaldo de Carvalho (DEM), que inclusive pode alcançar um inédito quarto mandato, caso confirme o desejo de permanecer no posto até 2020. Outros, mais discretos, apegam-se a temas específicos em suas críticas, surfando no tema do momento no noticiário. Normalmente, quase todos os pré-candidatos recuam depois que as conversas se intensificam. Para consumo externo, alegam a construção de consensos, o fortalecimento do grupo político ao qual se vinculam e outras desculpas do gênero. Normalmente, não é nada disso: lançam-se na expectativa de um negociação mais vantajosa lá adiante, traduzida na forma de cargos ou de apoio para candidaturas ao Legislativo. Não é à toa que as últimas eleições municipais vem assumindo um c...

Apesar do engasgo econômico, é Natal

                                  Balanço mesmo das vendas de Natal só se vai ter dentro de mais alguns dias, às vésperas do alvorecer de 2016. Mas, desde já, imagina-se que não existam grandes motivos para comemoração. Afinal, a feroz crise econômica que eclodiu logo na sequência das eleições presidenciais de 2014 vem deixando sequelas – desemprego, retração nos negócios, queda no rendimento real, redução nos investimentos – desde aquela época. E, o que é pior, deve seguir por 2016 com o mesmo vigor. Nada mais natural, portanto, que o consumidor se acautele, priorizando o pagamento das dívidas e investindo apenas em presentes módicos, pois não se sabe o que virá pela frente.                 Conforme já mencionamos, Papai Noel e a decoração natalina demoraram para dar as caras em 2015. Nos anos anteriores, de frenética ...

Os sertões e as vidas secas: até quando?

                                                  Embora as chuvas tenham caído em razoável quantidade na Feira de Santana no primeiro semestre do ano, contribuindo para encorpar a reserva que socorre o sertanejo nos períodos de estio, os longos meses que se sucederam, de implacável calor e escassas precipitações, vem contribuindo para que essas reservas se esgotem rapidamente. Com isso – e em época de El Niño, como informa a imprensa com reiterada frequência – o fantasma do esgotamento hídrico assombra os moradores da zona rural feirense, que já lidam com perdas significativas na lavoura.                 Seca é fenômeno renitente no semiárido, repetindo-se com implacável regularidade. Isso desde tempos imemor...