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Motociata no rodoanel do feirense é refresco

  Na Feira de Santana, do alto do viaduto inacabado na BR 116 Norte, defronte à Uefs, Jair Bolsonaro, o “mito”, assinou hoje (01) a ordem de serviço para duplicação de trecho oeste do Rodoanel. Corrija-se: do Anel de Contorno. Não moveram sequer uma pá de terra, mas, pelo jeito, já mudaram o nome da via, talvez tentando canhestramente mimetizar o festejado rodoanel da Região Metropolitana de São Paulo. Obra, aliás, que é dos tucanos do PSDB paulista. Para o badalado ato na Feira de Santana, sobre a terra nua das obras lançaram uma camada de asfalto, numa via lateral, para o “mito” chegar ao topo do viaduto. Ali montaram um palanque, com toldos e gradis. A multidão que aguardavam não se confirmou: menos na metade do espaço ocupado pelos toldos foi preenchida. Sob as obras, na pista, o movimento intenso do tráfego na BR 116. Poucos caminhoneiros buzinavam ou acenavam para o ato em apoio ao “mito”: parece que ele já não entusiasma tanto a categoria. Alguns até se manifestaram, mas a...

O vizinho da boca de crack

  -Vejo eles pra lá e pra cá, à noite, até de madrugada. Sabe aquele clipe de Michel Jackson, com os fantasmas? Parece aquilo... Os olhos muito vivos, a boca aperta de espanto. O comentário é de um cidadão pacato – comerciante, pai, casado, católico, até conservador, quase avô, respeitador das leis – aterrado com os usuários de drogas que costuma ver nas cercanias de onde mora. O clipe que ele menciona é Thriller , sucesso estrondoso há cerca de 40 anos. Nele, zumbis emergem, contracenam com Michael Jackson, astro pop daqueles tempos. O ir-e-vir dos viciados o estupefata. “Nunca pensei que seres humanos pudessem ser reduzidos àquilo”, confessa, o espanto crescente. Vê tudo à distância. Os espectros, assustadores, emergindo sob a luz opaca do poente, o movimento incessante numa esquina próxima quando as sombras da noite devoram o entardecer, o movimento suspeito e agitado dos traficantes. Costumava ver as cenas pela tevê, em São Paulo, no Rio de Janeiro, naqueles programas vespe...

A pandemia depois dos festejos juninos

  Muita gente não gosta de abordar o assunto porque julga que a pandemia acabou, que a Covid-19 se tornou um tema repisado, ultrapassado, que teima em não sair do noticiário e que, inclusive, não é mais moda. Quem se dispõe a abordá-lo passa por insistente, chato e até – supremas acusações – hipocondríaco ou comunista disfarçado, interessado em incutir o medo e difundir o pânico na pobre sociedade crédula. Mas o fato é que a pandemia não acabou. Os casos notificados e as mortes, a propósito, voltaram a subir no País. Os festejos juninos resgataram a arraigada tradição nordestina, reaproximaram familiares e amigos, entusiasmaram multidões, movimentaram a economia, dinamizaram diversos setores produtivos e injetaram uma sensação de normalidade, depois de dois desafiadores anos de pandemia. A frenética mobilidade e as inevitáveis aglomerações, porém, reacenderam o risco de disseminação da Covid-19, principalmente em função da emergência de uma quarta onda. Aqui na Feira de Santana, ...

Feirense recebe valor médio menor do Auxílio Brasil

  No mês de maio, o valor da cesta básica caiu um pouco na Feira de Santana. Apuração do Programa Cesta Básica, do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (Dcis) da Uefs, indicou que os 12 itens alimentares custavam R$ 501,48. Houve queda de 5,33% em relação ao mês anterior, segundo o levantamento. O tomate (-28,87%), a banana-prata (-5,71%) e o açúcar (-4,04%) estiveram entre os itens que registraram maior redução. Em abril, custava quase trinta reais a mais: R$ 529,71. Apesar do alívio relativo, garantir comida na mesa implica num desafio considerável para boa parte da população feirense. Quem é beneficiário do Auxílio Brasil – o antigo Bolsa Família, rebatizado por Jair Bolsonaro, o “mito”, pensando na reeleição – não consegue garantir os 12 itens na dieta familiar: o valor médio do benefício na Feira de Santana não vai além de R$ 401,29. O feirense pobre, coitado, é desprestigiado: comparativamente, os benficiários recebem valores médios maiores em Salvador (R$ 403,51), na ...

Um encontro com Waldick Soriano

  Dezembro de 1997. Nossa chapa perdera a eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Uefs por míseros 17 votos de diferença. Isso num universo de quase dois mil votantes. Eu próprio figurara na comissão eleitoral, contribuíra na apuração. O resultado nos abateu. Que fazer para espantar a desolação, recobrar algum ânimo? Decidimos beber uma cerveja numa churrascaria que ficava na BR 116 Norte, bem defronte à própria Uefs. O final da manhã – a apuração ocorrera pela manhã - era ensolarado no campus. O verão se aproximava e, nas copas da árvores, pássaros trinavam. Era sexta-feira, a universidade estava meio vazia, o final do semestre se aproximava. Descontando o canto dos pássaros, havia um silêncio renitente. Naquela caminhada pelo campus havia, em mim, além da tristeza pela derrota eleitoral, uma vaga sensação de liberdade que se misturava a incertezas em relação ao futuro: no mês anterior o Jornal Feira Hoje fechara, eu fora demitido e o futuro profissional me inqu...

Cerca de um terço dos feirenses enfrentam extrema pobreza

  Se os números estiverem corretos, a Feira de Santana tem quase 1/3 de sua população em situação de extrema pobreza. É o que revelam dados divulgados pela Secretaria Nacional do Cadastro Único, a Secad, vinculada ao Ministério da Cidadania. Segundo o levantamento, 48,8 mil famílias estão nesta condição no município. Considerando-se que cada família é composta, em média, por quatro integrantes, o total corresponde a cerca de 200 mil pessoas. É quase o equivalente a um terço da população feirense, estimada pelo IBGE em 624 mil pessoas no ano passado. Enquadra-se na extrema pobreza a família cujos integrantes, em média, dispõem de renda per capita de R$ 105 por mês. Nesse conjunto figura a parcela da população que, no dia a dia, está exposta ao flagelo da fome. Levantamento recente indica que, em fevereiro, correspondiam a 17,5 milhões de pessoas. O aumento de inscritos no CadÚnico nessa condição em relação ao ano anterior foi de 11,8%. A quantidade de famílias em situação de pobr...

Penduricalhos do Auxílio Brasil não emplacaram

  Lembro muito bem do estardalhaço com que foi lançado o festejado Auxílio Brasil – sucedâneo do Bolsa Família - e seus diversos penduricalhos, há apenas uns meses atrás. Olhando de fora – nem todo brasileiro tem intimidade com o processo de formulação de políticas públicas – parecia algo magnífico, espetacular, revolucionário. O anúncio – como sempre – foi pomposo, solene, quase apocalíptico. Parecia simbolizar a redenção dos desafortunados pobres brasileiros. Não foram necessários tantos meses para se perceber o embuste. Basta checar os números, inclusive aqueles referentes à Feira de Santana. Os dados, a propósito, são do Ministério da Cidadania. Informações oficiais, geradas pelo próprio governo de Jair Bolsonaro, o “mito”. Não dá, portanto, para farejar “comunismo” ou coisa do tipo. O mês de apuração das informações é maio. Tome-se, como exemplo, um dos penduricalhos, o Auxílio Esporte Escolar. Segundo o Ministério da Cidadania, o benefício é concedido “aos estudantes que in...