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Penduricalhos do Auxílio Brasil não emplacaram

 

Lembro muito bem do estardalhaço com que foi lançado o festejado Auxílio Brasil – sucedâneo do Bolsa Família - e seus diversos penduricalhos, há apenas uns meses atrás. Olhando de fora – nem todo brasileiro tem intimidade com o processo de formulação de políticas públicas – parecia algo magnífico, espetacular, revolucionário. O anúncio – como sempre – foi pomposo, solene, quase apocalíptico. Parecia simbolizar a redenção dos desafortunados pobres brasileiros.

Não foram necessários tantos meses para se perceber o embuste. Basta checar os números, inclusive aqueles referentes à Feira de Santana. Os dados, a propósito, são do Ministério da Cidadania. Informações oficiais, geradas pelo próprio governo de Jair Bolsonaro, o “mito”. Não dá, portanto, para farejar “comunismo” ou coisa do tipo. O mês de apuração das informações é maio.

Tome-se, como exemplo, um dos penduricalhos, o Auxílio Esporte Escolar. Segundo o Ministério da Cidadania, o benefício é concedido “aos estudantes que integram famílias beneficiárias do Auxílio Brasil e que se destacam em competições oficiais do Sistema de Jogos Escolares Brasileiros”. Pois bem: Na Bahia, somente 16 beneficios foram concedidos até agora. Na Feira de Santana, nenhum. Repita-se: na Feira de Santana, nenhum.

A Bolsa Iniciação Científica Júnior, por sua vez, tem desempenho só um pouco melhor. É concedida – segundo o Ministério da Cidadania - a “estudantes de famílias beneficiárias do Auxílio Brasil e que se destacam em competições acadêmicas e científicas”. Até aqui – a informação é oficial, reitere-se – só um estudante foi contemplado na Feira de Santana. Na Bahia inteira, são só 140 beneficiários.

Nem o antigo Programa de Aquisição de Alimentos – PAA foi poupado do vexame. Foi repaginado: tornou-se o pomposo Programa Alimenta Brasil, com objetivos ambiciosos: “Tem como finalidade ampliar o acesso à alimentação e incentivar a produção de agricultores familiares”. O desempenho, por enquanto, também é pífio: 1,9 mil famílias contempladas na Bahia e apenas cinco – cinco! - na Princesa do Sertão em 2022. É pouco, até para o integrante mais entusiasmado da claque bolsonarista. O valor total repassado é ridículo: R$ 28,7 mil.

Que dizer, então, do celebrado Auxílio Gás dos Brasileiros? Foi lançado como a redenção dos humildes, o benefício que atenuaria a disparada dos preços do produto. Em 2022, só beneficiou 1.025 famílias no município, bem aquém do conjunto de beneficiários do próprio Auxílio Brasil, estimado em 60,7 mil famílias. O total do valor repassado é uma merreca: R$ 52,2 mil. Sinal de que só uma parcela foi paga até agora.

Reza a lenda que esses benefícios seriam redentores, funcionariam como passaporte para a reeleição de Jair Bolsonaro, o “mito”. Os números referentes à Feira de Santana – e à Bahia – mostram que a coisa praticamente não saiu do papel. Não se sabe se só por incompetência ou há outra razão qualquer. O fato é que o brasileiro humilde, exposto às turbulências econômicas decorrentes da pandemia, segue sem amparo.

É bom destacar que os números falam por si. Falam, também, muito sobre o desgoverno desastroso do “mito”, que tenta a reeleição e – caso esta não se confirme – insinua um autogolpe que o manteria no poder. Triste Brasil do falecido sociólogo Herbert de Souza, o “Betinho”, pioneiro do combate à fome nestas terras...

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