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Feira no macabro Top 10 mundial dos homicídios em 2020

  Muita gente ficou indignada na Feira de Santana com a divulgação de um ranking que coloca o município como o mais violento do Brasil e o nono mais violento do mundo em 2020. Isso em relação aos homicídios. A pesquisa – realizada anualmente – é de uma organização não-governamental mexicana, o Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal. Esta instituição emprega, como recorte metodológico, municípios com mais de 300 mil habitantes. Os dados utilizados, no caso dos municípios baianos, são os que a Secretaria de Segurança Pública disponibiliza em seu site para acesso público. A partir dessas informações, calcula-se a taxa de homicídios por 100 mil habitantes. Li e ouvi muitos “metodólogos” de plantão questionando a metodologia. Com base em quê? No mesmo “achismo” largamente empregado em papo de botequim. Há quem creia que Iraque e Afeganistão são mais letais; uma simples simpatia por algum lugar justifica contestações ao levantamento; outros fincam pé numa espécie de...

Bate-papo casual com um eleitor de Bolsonaro

  – Os comunistas sumiram. Estão desnorteados com a porrada que levaram... Ouvi isso logo depois da vitória de Jair Bolsonaro, o “mito”, em 2018. Quem celebrava era um idoso na mesa de um bar muito frequentado ali na Kalilândia. Lançava olhares em volta, numa provocação àqueles que ele rotulava, genericamente, de “comunistas”. Nos meses seguintes mantinha a provocação, julgando o Brasil livre da “praga vermelha”. Revi-o há pouco, já vacinado contra a Covid-19 com a Coronavac. – Não era a vacina chinesa do Dória? – Provoquei, numa referência ao governador de São Paulo, João Dória, responsável pela importação do medicamento. Ele fez um gesto de desdém; queria evitar o papo, desagradável. Lembrei que o conheci há cerca de dez anos, quando o Brasil era a sexta economia do mundo. Desde lá, deslizou para a décima segunda posição e, em 2021, deve cair mais ainda, terminando o ano em 14º lugar. Antes que tomasse fôlego, acrescentei que, nesta queda, já há a contribuição do “mito” Jai...

Vacinação em massa é a alternativa para a retomada econômica

  O mês de março foi o mais letal da pandemia em Feira de Santana e abril não será muito diferente. Os números refletem os efeitos da segunda onda, que começou intensa no Amazonas e alcançou os estados de todas as regiões do Brasil. Dados do Centro de Informações de Registro Civil – CRC Nacional apontam que, em março, 111 pessoas morreram de casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 em Feira de Santana. Foi o maior número, para um mês, desde o começo da pandemia. Em abril, até o dia 20, mais 62 casos suspeitos ou confirmados tinham sido registrados. Em julho do ano passado Feira de Santana tinha alcançado o patamar mais alto, com 94 óbitos pela doença suspeitos ou confirmados. No mês seguinte, agosto, os números começaram a cair e houve 63 mortes suspeitas ou confirmadas. Abril de 2021 já pode ser considerado, portanto, o terceiro mês mais letal da pandemia no município, com base nas informações do CRC Nacional. Em um ano, mais de 0,1% da população feirense morreu de Covid-19:...

Vaca do Touro do Sertão já está quase no brejo

  O Fluminense de Feira está vendo a vaca ir para o brejo do Campeonato Baiano pela segunda vez nos últimos oito anos. Tudo indica que, novamente, o heroico Touro do Sertão vai disputar a Série B do Campeonato Baiano. Só os torcedores mais otimistas apostam suas fichas numa reviravolta: para evitar a degola, é necessário vencer o Vitória, no Barradão, e ainda torcer para uma altamente improvável combinação de vários resultados. Esta deve ser a terceira queda da agremiação, no Baianão, em seus 80 anos de história. A primeira vez já faz tempo: foi há 23 anos, em 1998. Naquela época, o Touro do Sertão ainda impunha algum respeito, vinha de dois vice-campeonatos baianos (1990 e 1991) e de um vice da Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro (1992). Talvez por isso o rebaixamento tenha causado comoção entre os torcedores feirenses naquele momento. No ano seguinte, em 1999, o Touro do Sertão tratou de garantir o retorno: numa eletrizante disputa de pênaltis contra o Galícia – venceu ...

O primeiro contato com a poesia de Manuel Bandeira

  Amanhã é 19 de abril, Dia do Índio. Lembro das celebrações escolares na década de 1980. Naquele tempo, a garotada pintava o rosto e saía com penachos de papel e cartolina, em desfiles marciais pelas ruas ensolaradas do Sobradinho. Até então, os índios ainda figuravam como parte da identidade nacional. Hoje, coitados, fanáticos querem convertê-los à força ao cristianismo farisaico que se vê aí na praça; garimpos ilegais violam suas reservas; criminosos extraem madeira impunemente e a Covid-19 avança como mais recente flagelo. Mas, até para preservar a sanidade, é bom lembrar também de coisas alegres, do que é vida e exaltação da vida. Afinal, 19 de abril é a data de nascimento de Manuel Bandeira. Há exatos 135 anos, em 1886, o poeta – um dos mais importantes do século XX – nascia no Recife. Mas foi no Rio de Janeiro que ele passou boa parte da vida. Lá produziu sua obra, contribuindo para firmar a capital fluminense no imaginário da poesia brasileira. Há três décadas deparei-m...

Abril é o fevereiro do feirense

  Em tempos normais, abril costuma ser o fevereiro do feirense. Em Salvador, o ciclo de festas populares emenda-se com o Carnaval nos verões de sons, luzes e cores sempre cinematográficos da capital baiana. Em fevereiro, o soteropolitano vive o apogeu do calendário. O mês desperta até suas disposições cosmopolitas, com a chegada de levas de turistas estrangeiros. Além, claro, das legiões de paulistas, mineiros, goianos e gaúchos. Tudo é festa na antiga Cidade da Bahia. Aqui na Feira de Santana, em abril, o feirense engata também uma sequência de datas especiais que o tornam mais efusivo. Não há turistas, mas há uma energia similar no ar. Na época, as vozes e os risos têm até um quê de Recôncavo, de Baía de Todos os Santos. Abandona-se aquela circunspecção, o silêncio e a sisudez comuns ao sertanejo. Tudo começa com a Semana Santa e suas tradições católicas. Apesar da solenidade do período – celebra-se a morte e a ressurreição de Jesus Cristo – há ânimo no preparo dos pratos t...

Absolvição de Lula mudará cenário político baiano?

  O Supremo Tribunal Federal, o STF, confirmou hoje (15) a anulação dos processos contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). Com isso, caso queira, Lula pode se candidatar em 2022, já que não ostenta mais a condição de ficha-suja. A decisão não muda só o cenário das eleições presidenciais – Jair Bolsonaro, o “mito”, tem agora um adversário que visivelmente o amedronta –, mas repercute também nos estados. Aqui na Bahia não é diferente. Até esta decisão o consórcio que sustenta o PT no governo da Bahia exibia trincas e alguns apostavam na sua dissolução. Otto Alencar (PSD) assumira uma pré-candidatura ao governo do estado; o PP do vice-governador João Leão caminhava para firmar uma aliança com ACM Neto (DEM), ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo baiano, segundo especulações; e o PT parecia isolado, apostando na candidatura do senador e ex-governador Jaques Wagner. A candidatura de Lula – muitos apostam – vai induzir à manutenção do arranjo: Otto Alencar ...