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Bolsonaro será cabo eleitoral de Cristina Kirchner

Mais uma vez a Argentina enfrenta uma turbulenta crise econômica. Maurício Macri, o festejado presidente liberal que sucedeu a família Kirchner, não engrenou no poder. A promessa de inserir o País num novo ciclo prosperidade não saiu do papel. A pobreza cresceu assustadoramente nos últimos anos, os preços sobem de maneira vertiginosa e a insatisfação da população é crescente. Manifestações se sucedem, antecipando o clima das eleições que acontecem em outubro. Cristina Kirchner – a ex-presidente populista que deixou o posto há apenas quatro anos – desponta como favorita nas pesquisas até aqui. A virada liberal que alguns anteviam há quatro anos na América do Sul talvez sofra um severo revés no país platino, um dos mais relevantes do continente. Para complicar, Kirchner vai contar com um respeitável cabo eleitoral às avessas: Jair Bolsonaro (PSL-RJ), o mandatário do Vale do Ribeira, que não para de meter o bedelho nas eleições do país vizinho. Governando o Brasil da arquibancada – c...

Governo dobra aposta contra universidades públicas

O calamitoso governo Jair Bolsonaro (PSL-RJ) resolveu dobrar a aposta contra as universidades públicas. Depois das monumentais manifestações de ontem (15), contra a reforma da Previdência e os cortes orçamentários na Educação, ontem mesmo veio mais uma medida. Os reitores – eleitos pela comunidade acadêmica – não poderão mais indicar, livremente, pró-reitores, diretores de centro e campus. Isso veio por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União. Haverá filtros para selecionar essa gente, cujo aval vai depender da Casa Civil: “O sistema integrado de nomeações (...) fará pesquisa à Controladoria Geral da União e à Agência Brasileira de Inteligência do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República”. A data de início da vigência foi fixada no próximo dia 26 de junho. A medida provavelmente escancarará as portas das universidades para aboletar todo tipo de exotismo: gente que crê em terra plana, ardorosos combatentes do “marxismo cultural”, iluminados pensa...

Mulheres e jovens dão o tom da manifestação em Feira

As mulheres foram as principais protagonistas do primeiro ato contra o governo de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) aqui na Feira de Santana hoje (15). Organizadores e parte da imprensa estimaram em cinco mil o total de manifestantes. A maioria era do sexo feminino: professoras, estudantes, sindicalistas, servidoras de escolas e universidades públicas, mães com filhos pequenos, avós com cabelos alvos, mas, sobretudo, jovens que, em muitos casos, estão apenas na segunda década de vida. Replicam o padrão do “Ele não”, um dos principais fatos políticos das eleições presidenciais do ano passado. Dois objetivos nortearam os protestos que aconteceram em mais de 160 cidades brasileiras: a luta contra o corte de verbas para a Educação – não foram apenas as universidades que sofreram redução, ao contrário da mentira propagada por muita gente – e a firme rejeição à proposta de reforma da Previdência que tramita na Câmara dos Deputados. Aqui na Bahia, houve um ingrediente adicional: foram muitos – e i...

Economia segue patinando, mesmo com a pajelança ultraliberal

As recentes expectativas pessimistas do “deus mercado” em relação ao desempenho da economia brasileira não são à toa: enxerga-se o risco real de o País voltar a enfrentar mais uma recessão. Os números ainda não são definitivos, mas a percepção sobre a piora da situação é visível. Principalmente porque o cenário político permanece conturbado, coalhado de incertezas. O enfático entusiasmo ultraliberal vem, desde janeiro, sendo intercalado por arroubos populistas e autoritários. Tudo indica que o primeiro trimestre de 2019 registrou declínio na atividade econômica em relação ao trimestre anterior. E, nesse mesmo trimestre anterior, pode ter havido recessão, já que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda revisa números do final de 2018. Caso o declínio permaneça no trimestre em andamento, estará caracterizada, tecnicamente, a recessão. Para 2020, as estimativas também estão se tornando pessimistas. Apesar disso, os ultraliberais no poder não apresentam alternati...

Ato em defesa da educação acontece na quarta-feira (15)

Quarta-feira (15) acontece mais um ato em defesa da Educação no Brasil. Dezenas de cidades devem registrar mobilizações. Aqui na Feira de Santana o evento vai acontecer logo pela manhã, na praça Tiradentes, aquela que fica defronte ao Instituto de Educação Gastão Guimarães, às 8h30. Partidos políticos vinculados à esquerda, sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais compartilham a organização do evento, que acontece apenas quinze dias depois do 1º de Maio. “A esquerda só se une na cadeia” é uma expressão antiga, que definia bem as fissuras programáticas que sempre contribuíram para a proliferação da infinidade de siglas à esquerda. Em momentos excepcionais, porém, as convergências se impõem. É o caso dos tormentosos dias que correm no Brasil, que em alguma medida reflete o que acontece mundo afora. Jair Bolsonaro (PSL-RJ), sem dúvida, tem o mérito de contribuir para a rearticulação das oposições, inclusive para essa inédita convergência de pautas. Afinal, as universidad...

Os chineses na paisagem feirense

Anos atrás realizei uma antiga aspiração: conhecer Campina Grande, a dinâmica cidade do interior paraibano. Saí num início de manhã de João Pessoa de ônibus e, durante toda a viagem, caiu uma garoa fina que encobria os juremais. Numa poltrona próxima alguém comentou, feliz, que as chuvas daqueles dias tinham caído sobre todos os municípios paraibanos, Em Campina Grande o tempo abriu e surgiu um sol cálido. Era julho. O desarranjo dos deslocamentos atiçou a fome logo que cheguei à cidade sertaneja. Numa incursão por uma fervilhante rua comercial – o centro das cidades nordestinas é sempre prenhe de gente, de sons, de movimento – encontrei uma pastelaria com aspecto agradável. Lá, a surpresa: o estabelecimento era tocado por diligentes chineses que mal articulavam meia-dúzia de palavras em português. Pasmo, constatei que as incursões dessa gente tinham alcançado até o pedregoso sertão paraibano. - Todo lugar tem chinês hoje – Sempre comenta alguém, espantado. É verdade. Discretos,...

Garoa é promessa de fartura no inverno

Depois de um intervalo sem chuvas frequentes, ontem (10) a Feira de Santana amanheceu sob uma garoa fria, prateada. Até outro dia o que se viu foram precipitações intensas, boas para acumular reserva hídrica, sobretudo para saciar os rebanhos, mas pouco apropriadas para o plantio. Lembravam muito o verão, com torrentes, raios e trovões ocasionais. Serviram, porém, para restabelecer o ânimo do trabalhador rural, que partiu para cavoucar a terra úmida à espera do inverno. Caso a chuva miúda persista nos próximos meses, há a promessa do feijão e do milho no inverno. Também deve crescer a oferta das hortaliças plantadas nos municípios que margeiam o Recôncavo, como Amélia Rodrigues e Conceição do Jacuípe. Nem é necessário mencionar que, com mais oferta, os preços caem, favorecendo os consumidores. Apesar do calor abrasador, que se estendeu de janeiro a março – manhãs e tardes incandescentes eram sucedidas por noites sufocantes também, intensificando o desconforto –, não é justo reclam...