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Feira concentra caminhoneiros em greve

Na Bahia, Feira de Santana é dos principais locais de mobilização da greve dos caminhoneiros autônomos contra os reajustes do óleo diesel. Há uma concentração na BR 116 Norte, nas imediações do bairro Cidade Nova. Desde terça-feira (22), dezenas de veículos estão parados à margem da pista, provocando lentidão no trânsito no sentido centro da cidade, principalmente no início da manhã. Mas não existem piquetes ou bloqueios: apesar do engarrafamento, todo mundo passa. A frota estacionada é bem variada: vai desde possantes carretas que transportam combustíveis até pequenos ou imensos caminhões-baú, passando por carretas graneleiras de carroceria quadrada e antigos caminhões Mercedes-Benz carregados com engradados vazios de hortifrutigranjeiros. Há caminhões, inclusive, com carga perecível. A fila, hoje (23) pela manhã, era longa: partindo da passarela da Cidade Nova chegava até defronte ao antigo Derba, pelo lado do Campo Limpo. Mas se estendia também pelas cercanias do Parque Ipê, oc...

A trajetória do prédio do Centro Universitário de Cultura e Arte

O prédio do Centro Universitário de Cultura e Arte, o CUCA, é uma das edificações mais impressionantes da Feira de Santana. Fica situado na rua Conselheiro Franco – nas imediações da Praça da Catedral – e é vinculado à Universidade Estadual de Feira de Santana, a Uefs. O espaço foi construído especialmente para funcionar como escola, o que era raro aqui na região, conforme observa publicação do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, o IPAC. O início da construção do grupo escolar foi há mais de 100 anos: data de 1912, quando Agostinho Froes da Mota era intendente. Foi entregue, finalmente, em 1916, ofertando o ensino fundamental. Apenas em 1927 é que começou a funcionar como Escola Normal, em data que os historiadores registraram com apuro: 1º de junho. Dedicou-se, nas quatro décadas seguintes, à formação de professores. Em 1968 aconteceu a segunda mudança: tornou-se Faculdade de Educação, criada por decreto estadual daquele mesmo ano. Em 1976 o prédio imponente pa...

História e arquitetura da Prefeitura de Feira

Um dos prédios mais imponentes da Feira de Santana é aquele que abriga a Prefeitura Municipal. Fica num dos mais emblemáticos cruzamentos da cidade, entre as avenidas Getúlio Vargas e Senhor dos Passos. Naquele trecho muito da vida política e cultural da cidade ganha expressão: feiras – de livros, de saúde -, apresentações musicais, atividades de lazer e, sobretudo, manifestações políticas acontecem defronte à prefeitura, no estacionamento encoberto pelas sombras generosas das árvores. O prédio começou a ser erguido há quase 100 anos: no dia 11 de setembro de 1920 o Conselho – a versão da época da Câmara Municipal – autorizou a construção da nova sede da prefeitura. Não demorou para a pedra fundamental ser lançada, já no ano seguinte. Foi sob a gestão do intendente Bernardino Bahia, com o engenheiro Acciolly Ferreira da Silva assumindo a responsabilidade técnica. Demorou seis anos para a obra ser concluída: em 1926, já sob a intendência de Arnold Ferreira da Silva – cargo equivale...

Situação da economia volta a assustar

O Brasil voltou a flertar com a desaceleração econômica. É o que sinaliza a prévia do Produto Interno Bruto – PIB divulgada pelo Banco Central, o BC, essa semana. Março foi um mês desfavorável: a queda, em relação ao mês anterior, fevereiro, foi de 0,74% e, na comparação com o mesmo mês de 2017, o declínio foi menos intenso: 0,66%. Analistas estimavam retração bem mais modesta: apenas 0,1%. Isso vai impactar sobre a mesma prévia do PIB: queda de 0,13% em relação ao trimestre anterior. A divulgação dos números levou os analistas a refazerem seus cálculos sobre o PIB de 2018. Antes, as projeções apontavam para um crescimento em torno de 3%. Depois da divulgação dos dados nada alvissareiros referentes ao primeiro trimestre, a expectativa caiu para algo perto de 2,5%. Diversos fatores ajudam a explicar essa retração. Sob a perspectiva estritamente econômica, o desemprego elevado impede o aquecimento da demanda interna, freando a retomada. Os juros caíram, mas, sem trabalho, o brasilei...

A gênese do calçadão da Sales Barbosa I

Antigamente não existia calçadão na Rua Sales Barbosa, a afamada “Rua do Meio” de outros tempos. Por ali circulavam carros e até gente a cavalo, conforme atestam fotos antigas. Foi só em meados dos anos 1970 que começaram as obras para a construção do calçadão, com o piso de pedras portuguesas reportando-se à herança cultural lusitana. A iniciativa, do então prefeito Colbert Martins, acompanhava uma tendência que surgia em capitais do Sudeste, como São Paulo e Curitiba. Durante toda a primeira metade dos anos 1980 circular pela via era um prazer: as pedras, muito claras, resplandeciam; pardais chilreavam incessantemente e, muitas vezes, pousavam nos canteiros suspensos, pintados de verde, atraindo a atenção de quem circulava. Trânsito mais intenso de pedestres só nos períodos festivos. Nenhuma barraca obstruía o trânsito de pedestres. A partir da Praça Froes da Mota, seguindo em direção às praças dos Remédios e Bernardino Bahia, pontuavam as lojas de confecções. Eram muitas, como ...

As tendências do eleitor feirense

Essa semana saiu uma pesquisa sobre as eleições presidenciais de 2018. Nela, Jair Bolsonaro (PSL-RJ) lidera e venceria todos os potenciais adversários num hipotético segundo turno. Caso figurasse entre os presidenciáveis, Lula venceria todo mundo. Mas, preso em Curitiba há um mês, tudo indica que a probabilidade do líder petista disputar a eleição é bem remota. Isso significa que, objetivamente, quem lidera hoje a sucessão presidencial é Jair Bolsonaro. O levantamento permite também inferências adicionais. Geraldo Alckmin (PSDB-SP), a grande aposta do “deus mercado” – anunciado como candidatura de “centro” – patina no mesmo patamar, inferior a dois dígitos, há muito tempo. Ciro Gomes (PDT-CE) tenta se viabilizar à esquerda, mas tende a fracassar caso não construa uma coligação robusta. Mas está mais próximo dos míticos dois dígitos que Alckmin. Hoje, quem duelaria com Jair Bolsonaro seria Marina Silva (Rede-AC), a segunda colocada. Mas, sem estrutura partidária e com um discurso d...

O potencial da horticultura no Recôncavo

Sábado passado (12) o sol irradiava uma luz festiva, puríssima, sob um céu de azul indevassável nas cercanias do Bessa e de Amélia Rodrigues. Foi uma dessas manhãs típicas de maio, com o sol caricioso e o dia resplandecendo num espetáculo de cores. Nela, o viajante que trafegava pela BR 324 pôde se extasiar com os infinitos tons de verde do capim viçoso, dos resquícios de Mata Atlântica que se encarapitam pelos morros e das árvores frutíferas – manga, jaca, coco e caju – que ornam a margem da pista. Mas, por ali, o que chama muito a atenção são os caprichados cultivos de hortaliças. Alface, cebolinha, coentro, couve e salsa crescem – num verde vívido – em covas bem cuidadas e umedecidas pelas chuvas que caem com frequência desde abril. É comum se deparar com um trabalhador em sua faina: colhendo hortaliças muito tenras nos inícios de manhã, regando quando as chuvas escasseiam ou cavoucando a terra preparando novas covas que, lá adiante, vão desabrochar numa maravilhosa demonstraçã...