A chuva miúda que cai das nuvens avermelhadas – minúsculas gotículas – dilui um pouco as luzes da Feira de Santana. Mais à frente dilui a própria paisagem, que se condensa em sombras indistinguíveis lá para os lados do centro da cidade. Venta um vento frio. Mas ele é insuficiente para sacudir a copa encharcada das palmeiras imperiais, que pendem, luzidias. Faz 21 graus, segundo a tela do computador. Ninguém desafia o calçamento encharcado. É uma noite de domingo digna de cena de cinema. A manhã de domingo também foi bem característica: céu azul, vento suave, luz cariciosa do sol, uma paz na atmosfera que até contagiava os espíritos. Destoando de tudo, só uns urubus voando distantes, em círculos, farejando carniça. Depois vi alguns deles bem miúdos, no alto do céu. Tão altos que até inspiravam um silêncio que se somava ao clima ameno, à mansidão do domingo. A pandemia favoreceu essas observações gratuitas, sem propósito. Antes dela, todos andavam amarrados, escravos de suas ag...