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Ecos do entardecer em São Luís do Maranhão

– Eu tenho que reconhecer que foi o atual governador que melhorou o Centro Histórico. Era abandonado, perigoso para o turista, mas melhorou muito. Ouvi isso de um motorista de aplicativo em São Luís. Deslocava-me de uma pousada no próprio Centro Histórico em direção à Universidade Federal do Maranhão. Naquele diálogo curto ele tentava insinuar elogios a Jair Bolsonaro, o “mito”. Calado, eu preferia apreciar a paisagem, o rio Bacanga, com suas águas azuis, calmas, sob a ponte na Avenida dos Portugueses. Em volta, a lufa-lufa do início da manhã. O alvo do elogio era o governador Flávio Dino (PC do B). O Centro Histórico da capital maranhense debruça-se sobre a Baía de São Marcos que, ali, encorpa-se com os rios Bacanga e Anil. Do mirante que fica junto ao Palácio dos Leões e à Capitania dos Portos é possível acompanhar inesquecíveis entardeceres. O espetáculo é longo, multicor. À direita, o rio Anil, a ponte de São Francisco, os espigões modernosos do Jardim São Francisco estendendo...

Recordações de uma viagem a Teresina

A viagem era longa e o ônibus ainda atrasou. Quinta-feira à noite. Na rodoviária, os viajantes se moviam como espectros. A luz elétrica pálida, tristonha, agônica, assustava pouco a escuridão. E realçava aquela inexplicável melancolia das rodoviárias, dos pontos de apoio, dos minúsculos pontos de embarque. Quem, ali, também embarcaria para Teresina? Entretive-me com o jogo de adivinhar destinos dos viajantes. Grandes valises forneciam pistas. – Engarrafamento na saída de Salvador – justificou o atraso, lacônico, o motorista, que examinava os bilhetes dos passageiros ansiosos pelo embarque. Misturaram-se àqueles que vinham de Salvador. Nova parada na Avenida Contorno. Ali, tudo é mais lúgubre, escuro, deserto. O longo balcão da lanchonete na penumbra. Lá fora, vida só na barraquinha que vende tralhas chinesas. Caneta colorida, despertador, rádio, lanterna, tudo que reluz, que é multicor. Aquilo ajudava a espantar a escuridão e a melancolia. A algazarra dos músicos espantava a sil...

Comércio aberto não vai impulsionar pandemia?

Surpreendeu muita gente a decisão da prefeitura de autorizar a reabertura do comércio a partir de hoje (21). Foram quase quatro semanas de suspensão de parte das atividades, com resultados que podem ser considerados satisfatórios: a eclosão de casos de Covid-19 foi retardada e, até aqui, não se verificou superlotação em unidades de saúde e hospitais locais. Houve – conforme expressão que se tornou corriqueira – o comentado achatamento da curva. Até o momento, é bom ressaltar. Quem circula pelo centro comercial da Feira de Santana sabe como são os tumultos e as aglomerações naquelas vias de trânsito intenso. O discurso da precaução, das cautelas, dos cuidados, retoricamente tranquiliza, mas não costuma ser visto na prática. Na própria pandemia do novo coronavírus há exemplos: defronte às agências bancárias, às lotéricas e até às portas das lojas que vendem ovos de Páscoa, viram-se filas e aglomerações. Péssimo sinal. O inquietante é que ainda estamos distantes do pico da pandemia. ...

A peleja dos “moristas” contra os acólitos do “mito”

Confesso que pretendia, nesta sexta-feira de tempo instável, escrever sobre a Micareta feirense. Ou sobre a não-micareta, já que a festa foi adiada em função da pandemia do novo coronavírus. Forjara, até, um título ambicioso: “Crônica da Micareta que não aconteceu”. Remoía a dúvida se, em algum momento, no passado, a Micareta chegou a ser adiada. E até já acalentava ambições históricas: figurar como o primeiro cronista a destrinchar o fato sob uma ótica que não cheguei a definir. Fui, porém, atropelado por fatos mais candentes. Como todo mundo sabe, não há nenhuma novidade relacionada à pandemia de Covid-19 no Brasil. Os hospitais das grandes metrópoles já estão superlotados, os mortos somam-se às centenas a cada dia desde o começo da semana e o brasileiro insiste em retomar a rotina como se nada estivesse acontecendo: nada disso é novidade nos últimos tempos. A grande novidade do dia foi o desembarque do ministro da Justiça, Sérgio Moro – o ex-todo-poderoso que detinha carta bran...

Micareta foi a primeira vítima do Covid-19 em Feira

Foi muito lembrado, nas mídias sociais, que a Micareta 2020 deveria começar hoje (23). A folia foi a primeira vítima do Covid-19: na primeira quinzena de março a prefeitura anunciou o adiamento, sem nova data prevista. Naquele momento muita gente se espantou com a suspensão. Não faltou quem apostasse que a festa ocorreria de qualquer jeito. Mas prevaleceu a prudência e, com o passar dos dias, a decisão se mostrou acertada. Desde então passaram-se 40 dias. E, pelo visto, a principal festa popular da Feira de Santana vai ficar para 2021. Isso se, até lá, a pandemia for controlada por aqui. É bom não cultivar grande otimismo. Afinal, a peleja dos trogloditas no Planalto Central está tão renhida que a saúde da população fica em segundo plano. Logo, a pandemia pode durar mais que em outros países. São grandes os prejuízos para a economia feirense com a suspensão da Micareta. E é enorme a quantidade de prejudicados com as rígidas – mas necessárias – medidas para evitar aglomerações. A i...

Comércio feirense reabrirá quarta-feira?

Longas filas marcaram o início da distribuição do vale alimentação para estudantes da rede estadual na Feira de Santana hoje (20). O benefício – no valor de R$ 55 – vai ajudar as famílias mais carentes a suplantar esse período sem aulas e sem trabalho por causa da pandemia de coronavírus. A cena é corriqueira, pois também são longas as filas nas lotéricas e defronte às agências bancárias. Algumas se espicham quarteirão afora, dobram esquinas, avançam pelos becos, com gente aflita, impaciente. Boa parte tem ido sacar a ajuda de R$ 600 disponibilizada para trabalhadores informais e famílias contempladas pelo Programa Bolsa Família (BPC). Apesar dos críticos, insensatos, esses repasses são indispensáveis no momento. Muitos trabalhadores feirenses atuam na informalidade e ganham pouco. Com a pandemia, estão vulneráveis, já que não podem se dedicar às suas atividades. Quem consegue sacar, em muitos casos, gasta no mercadinho de bairro, na padaria, no açougue. Ou, até mesmo, nos indispe...

A lição que vem de Manaus

O radialista Wilson Lima (PSC), eleito governador do Amazonas em 2018, foi apresentador de tevê. Dedicava-se, com histrionismo, a esses programas sensacionalistas que tanto apelo tem junto à gente humilde. Quem quiser, pode checar sua performance em arquivos disponíveis na Internet. Não fica devendo nada às celebridades que encenam esses quadros grotescos nos auditórios do Rio de Janeiro e de São Paulo. Elegeu-se no vácuo da iracunda “nova política” e do anseio febril por renovação. Submergiu no noticiário desde a posse – no Brasil, só há espaço hoje para as esquisitices de Jair Bolsonaro, o “mito” –, mas ressurge agora. No estado que ele governa o caos já se instalou com a disseminação do novo coronavírus. Hospitais lotados, cadáveres em unidades de saúde, gente desesperada à espera de atendimento, tudo se vê no triste calvário amazonense. O que acontece em Manaus deveria levar muita gente a refletir. Afinal, caso prevaleça o que o “mito”, arauto da “nova política”, defende – a r...