Publicado originalmente em Junho/2020 O inverno começou com chuva aqui na Feira de Santana. O sol pouco apareceu desde sábado e, quando o fez, estava sempre cercado de nuvens. O costumeiro tem sido as nuvens plúmbeas e cor de aço rolando pelo céu da cidade. Sob elas, uma luz pálida, cinematográfica. Às vezes – sobretudo à noite – a garoa se desprende, encobrindo a cidade com uma cortina prateada. Sob as sombras, a chuva que a luz avermelhada dos postes reluz se acumula em poças miúdas sobre o calçamento luzidio. Nos intervalos da chuva, as nuvens avermelhadas correm por detrás das torres metálicas do centro da cidade com suas lâmpadas vermelhas, tristonhas, que piscam, melancólicas. Só o estrépito e o colorido dos fogos, esporádicos, espantam um pouco a monotonia que paira, pesada, noite afora. É nesses momentos que se resgata a lembrança de que o São João se aproxima, mesmo com a pandemia e suas apreensões e incertezas. Apesar das recomendações médicas contrárias, tudo indic...