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A rotina agitada da vizinha cidade de Cachoeira

O vizinho município de Cachoeira está se preparando para o São João. Na praça que abriga os festejos já existem bandeirolas verde-amarelas, balões e a montagem de palcos e barracas segue frenética. Pelas ruas estreitas, densas em História e Cultura, placas anunciam o afamado licor de Cachoeira. Nesses estabelecimentos, as garrafas são exibidas em arranjos, multicoloridos pela diversidade de sabores. A decoração do comércio, o estalar dos fogos, as fogueiras empilhadas à porta das casas, tudo lembra o São João. Por lá tem chovido bastante, nesse outono generoso.  As nuvens avançam ao longo do Rio Paraguaçu ou surgem sobre os paredões verdejantes na margem oposta do rio, aonde se enxerga o casario multicor da vizinha cidade de São Félix. Quando a chuva se precipita, o horizonte se dilui numa cortina prateada que dança ao sabor do vento rijo. Na zona rural o que se vê é fartura: os milharais estão robustos, graciosos, espicham-se, mais altos que uma pessoa de estatura média. Em B...

Verde e amarelo predominam nas ruas feirenses

Demorou, mas o brasileiro – e, particularmente, o feirense – entrou no ritmo da Copa do Mundo. As indumentárias verde-amarelas reapareceram inicialmente tímidas, mas nesses dias que antecedem o início da competição vem se tornando muito frequentes. São camisetas, bonés, moletons, agasalhos e toucas numa infinidade de modelos diferentes, com a predominância do amarelo e do símbolo da patrocinadora oficial da Seleção Brasileira. Antenados, os camelôs do calçadão da Sales Barbosa exibem os produtos desde o mês passado. Inicialmente despertavam pouca atenção: os consumidores lançavam olhares discretos para os produtos em exposição, mas seguiam adiante, indiferentes. Com os últimos amistosos e a proximidade da abertura oficial – a competição começa hoje – a demanda cresceu. Pelas áreas de comércio popular – muita gente vende estendendo lonas plásticas nas calçadas ou no asfalto – podem-se encontrar camisetas até por R$ 10. O uso tende a ser efêmero: vai, no máximo, até o final da compe...

Bahia se destaca no genocídio juvenil

É estarrecedora a escalada de homicídios no Brasil e na Bahia, divulgada no Atlas da Violência 2018. Os números, referentes a 2016, assumem dimensão ainda mais dramática quando se projeta o futuro do Brasil a partir de 2019: pouco se fala em pacificar o País, reduzir a assombrosa quantidade de assassinatos. Pelo contrário: faz sucesso, na corrida presidencial, quem alardeia que pretende enrijecer a legislação, distribuir armas, estimular mais matança para – ironicamente – elevar a segurança pública, assegurar tranquilidade ao cidadão. Se isso funcionasse, a Bahia estaria às vésperas de se tornar um paraíso na terra. Afinal, aqui se extermina em escala genocida, sobretudo quem é jovem. Em 2006, por exemplo, foram mortos 1.947 jovens com idade entre 15 e 29 anos. Dez anos depois, essa cifra saltou para 4.358. Acréscimo de estarrecedores 123,8%. O estado é recordista nacional: na sequência aparece o conflagrado Rio de Janeiro, com 3.386 mortes. Quando o critério é taxa de jovens mort...

Jornalista Juarez Bahia segue esquecido em Feira

Infelizmente não conheci Juarez Bahia. Quando comecei a labutar na imprensa feirense, em meados dos anos 1990, no extinto jornal Feira Hoje, o reconhecido jornalista já não residia na cidade havia décadas. Ele faleceu pouco tempo depois, em janeiro de 1998. Lá se vão mais de 20 anos e, pelo que se percebe, não houve a preocupação de homenagear a um dos mais importantes profissionais da imprensa surgidos aqui na Feira de Santana. Juarez Bahia nasceu na vizinha Cachoeira, palco pujante da cultura baiana e berço de muita gente célebre. Foi em 18 de outubro de 1930. Pesquisando pela internet, descubro que, ainda criança, depois de uma primeira temporada em Santos-SP, Juarez Bahia retornou à Bahia e à Feira de Santana. Aqui começou a trabalhar com o advogado Arnold Ferreira da Silva. Aos 15 anos já atuava como jornalista na “Folha do Norte”, mais longevo jornal da cidade. Lá adiante, decidiu tentar a sorte novamente em Santos: foi estivador no porto, tipógrafo na “Tribuna de Santos” e,...

Com a eleição, fala-se novamente no Centro de Convenções

Quem passa pelo lado de fora não deixa de sentir indisfarçável mal-estar. O polêmico Centro de Convenções da Feira de Santana, localizado ali no bairro São João, próximo à avenida João Durval, segue aguardando uma decisão sobre o seu destino. Hoje, como está, não deixa de constituir um monumento à “não-decisão” dos sucessivos governos petistas que se revezam no comando da Bahia desde 2007. As obras foram paralisadas há mais de dez anos e, embora a cidade careça do equipamento, não se resolve o interminável imbróglio. A novela é longa: as obras c omeçaram no segundo governo Paulo Souto, na primeira metade da década passada. Com a entrega do equipamento, esperava-se fomentar o turismo de negócios no município e assegurar um espaço para a realização de grandes eventos na Feira de Santana. Só que, em 2006, antes da conclusão da obra, Paulo Souto foi derrotado na disputa pelo governo da Bahia e o drama começou. Nesses mais de dez anos foram apresentadas várias versões para a interrupçã...

Presidenciável em debate amanhã na Uefs

Amanhã (05) o primeiro pré-candidato à presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), visita a Feira de Santana. Vai à Uefs, fazer uma palestra a partir das 18h30. O convite circula pelas redes sociais. O evento deve atrair público expressivo: é no meio acadêmico, entre jovens órfãos de lideranças políticas à esquerda, que a legenda faz mais sucesso. Guilherme Boulos é liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto lá em São Paulo, mas o movimento conta com ramificações em diversos estados. Ele começou a ganhar protagonismo nacional, ironicamente, a partir da derrocada do petismo e de Dilma Rousseff, a partir de 2015. Participou da mobilização em São Bernardo do Campo (SP), após a ordem de prisão de Lula. Muita gente enxerga Boulos como um potencial herdeiro de Lula, uma nova liderança de massas. É jovem, carismático e, hoje, encarna certos ideais da esquerda que foram sendo abandonados pelo petismo à medida que a legenda se aproximava do poder. Seu desempenho eleitoral, at...

Lançado “Feira”, livro do jornalista Jânio Rêgo

Finalmente veio a público “Feira”, do jornalista potiguar Jânio Rêgo, longamente radicado na Feira de Santana. Parto difícil, adiado por um ano ou mais, mas que chegou de repente, como essas intensas trovoadas aguardadas com ansiedade pelos sertanejos, que desabam de uma vez. “Feira” começa feliz já pelo título: não é “a Feira”, mas um mosaico de “Feiras” que, mescladas, entrelaçadas e, sobretudo, múltiplas e singulares, convergem para se tornar a “Feira” que o jornalista busca retratar. O inusitado da obra começa pela estratégia comercial do autor: nada de noite de autógrafo ou lançamento num desses espaços sofisticados. Não: “Feira” é produto de feira-livre, artigo de papel, similar aos cordéis que se veem à venda por aí no meio do povo, entornando a criatividade e a cultura sertanejas pelas feiras-livres. Então, quem quiser apreciar a palavra de Jânio Rêgo, que vá à procura da obra no Mercado de Arte Popular, o MAP. Lá, o livro está em exposição, à venda, na banca de Jurivaldo ...