- Pomponet! Pomponet! O grito animado contrastava com o meio-dia quase sempre escaldante da Feira de Santana. Noutras vezes havia mormaço, mas o desconforto se mantinha. Aquela voz familiar reatava lembranças infantis, dos tempos já distantes da Escola Coriolano Carvalho. Era de um antigo colega de colégio, lá de meados dos anos 1980. Gritava da varanda de casa, ali no Sobradinho, numa rua que serpenteia, pejada de automóveis estacionados. Ouvi a saudação alegre durante anos seguidos, até o começo da pandemia. Depois do grito, o antigo colega abancava-se, ia almoçar numa mesa plástica na varanda de casa. Do lado, a garrafa de água gelada; no rosto, o sorriso satisfeito, o prato cheio diante de si. Disseram que perdeu o juízo, a razão eu desconheço. O que sei é do entusiasmo quando me via, mesmo como personagem secundário de um passado – quem sabe – feliz que ele viveu. Com o arrefecimento da pandemia voltei a percorrer a mesma rua, mais silenciosa, sob o mesmo sol abrasador, i...