Pular para o conteúdo principal

Patrimônio Cultural de Feira de Santana I


A Sede da Prefeitura Municipal



A história do prédio da Prefeitura Municipal de Feira de Santana começou há 129 anos, em 1880. Naquela oportunidade, a Câmara Municipal adquiriu o imóvel para sediar o Executivo, que não dispunha de instalações adequadas. Hoje talvez cause estranheza a iniciativa partir do Legislativo, mas é que naqueles anos os vereadores acumulavam o papel reservado aos atuais prefeitos. Em 1906 o município crescia e o prédio de então já não atendia às necessidades do Executivo. Foi, então, adquirido um outro imóvel utilizado como anexo da prefeitura.
Passaram-se 14 anos e veio a iniciativa de se construir um prédio único e que abrigasse com comodidade a administração municipal. Após a autorização da construção da nova sede em 1920, o intendente Bernardino Bahia lançou a pedra fundamental em 1921. O engenheiro Acciolly Ferreira da Silva assumiu a responsabilidade técnica.
No início do século XX Feira de Santana experimentou uma robusta expansão urbana. Além do prédio da prefeitura, foram construídas a Escola Normal (onde hoje funciona o Centro Universitário de Cultura e Arte), a Escola Maria Quitéria, a atual sede do Arquivo Municipal (que era uma escola), entre outros imóveis. Datam deste período também os coretos das praças da Matriz e Eduardo Froes da Mota.
Existia então um certo entusiasmo no ar. O mundo experimentava uma era de prosperidade que resultaria em duas guerras mundiais e em uma depressão econômica que abalou o planeta e se arrastou por anos. Até na Feira de Santana ressoavam os ecos desse progresso: a feira-livre prosperava e os impostos do gado abatido engordavam os cofres municipais, robustecidos pelas divisas que o cacau de Ilhéus gerava para o erário estadual.

A Inauguração

Certamente com muita pompa, a sede da prefeitura foi inaugurada em 1926 pelo intendente Arnold Ferreira da Silva e custou 400 contos de réis. A construção, no cruzamento entre as avenidas Getúlio Vargas e Senhor dos Passos totalizava 1.400 metros quadrados e fica próxima de dois outros imóveis importantes: a igreja Senhor dos Passos com seu estilo Neogótico Tardio e o prédio da antiga Intendência, no ângulo oposto.
Embora date do século XX, o imóvel possui inspiração bem mais antiga: segue o padrão colonial inaugurado em um imóvel de Jaguaripe, em 1697. Na Bahia, há prédios com arquitetura semelhante em São Francisco do Conde, Porto Seguro, Rio de Contas, Caetité, Paratinga e Condeúba. Com o passar das décadas, foram realizadas intervenções alterando a estrutura interna, mas sem interferir nas características originais. Estas intervenções foram a colocação de divisórias, o rebaixamento do forro, a construção de um mezanino em madeira, além de carpete e paviflex.Por décadas o prédio imponente foi surrado pelos dias quentes e ensolarados, pelas noites frias e chuvosas e pelo descaso das autoridades. Só muito recentemente sofreu uma nova intervenção, recuperando a beleza que ostentava quando, ali próximo, funcionava a feira-livre transferida para o Centro de Abastecimento em 1977.

Comentários

  1. Quero parabenizá-lo pelo excelente trabalho, irei utilizar na minha monografia (especialização em desenho pelo UEFS) e darei a devida creditação.
    Parabéns e SUCESSO SEMPRE.

    Josimeire Souza

    ResponderExcluir
  2. Quero convidá-lo para assistir a defesa da monografia a qual utilizei seu blog como referência. Será DIA 13 DE ABRIL, no mp 27, sala Lênio Braga,módulo II da UEFS as 14 horas.Sua presença será uma honra.

    josi.cristo@bol.com.br

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Placas de inauguração contam parte da História do MAP

  Aprendi que a História pode ser contada sob diversas perspectivas. Uma delas, particularmente, desperta minha atenção. É a da Administração Pública. Mais ainda: a dos prédios públicos – sejam eles quais forem – espalhados por aí, Brasil afora. As placas de inauguração, de reinauguração, comemorativas – enfim, todas elas – ajudam a entender os vaivéns dos governos e do próprio País. Sempre que as vejo, me aproximo, leio-as, conectando-me com fragmentos da História, – oficial, vá lá – mas ricos em detalhes para quem busca visualizar em perspectiva. Na manhã do sábado passado caíram chuvas intermitentes sobre a Feira de Santana. Circulando pelo centro da cidade, resolvi esperar a garoa se dispersar no Mercado de Arte Popular, o MAP. Muita gente fazia o mesmo. Lá havia os cheiros habituais – da maniçoba e do sarapatel, dos livros e cordeis, do couro das sandálias e apetrechos sertanejos – mas o que me chamou a atenção, naquele dia, foram quatro placas. Três delas solenes, bem antig...

Propaganda eleitoral é diversão garantida

  Fiquei impressionado com a propaganda eleitoral na televisão. Mais: fiquei entusiasmado. Estamos salvos: há muita gente bem intencionada, altamente qualificada, mobilizada para tornar a Bahia e o Brasil melhores. Quem quiser constatar é só acompanhar as transmissões, no começo da tarde e à noite. Nem vou mencionar as campanhas majoritárias: os candidatos a deputado – estaduais e federais – são suficientes para eletrificar as esperanças de um futuro melhor. A turma está tão entusiasmada que não se limita ao trivial eleitoral – lutar para melhorar a saúde, a educação, gerar emprego e renda – e avança prometendo assumir funções que, no papel, cabem ao Executivo. Tudo bem: num País em que o presidente da República terceirizou o orçamento para o “Centrão” e vive tentando usurpar atribuições do Judiciário, não há problema nenhum. Há os insatisfeitos – sempre há os insatisfeitos – que reclamam dos chavões, dos clichês, das frases feitas que ornamentam as breves falas dos candidatos. N...