É difícil fazer qualquer análise política, em período eleitoral, sem correr o risco de ferir suscetibilidades. Mas vamos lá: Marina Silva representa, em 2014, um fenômeno eleitoral que não se observa no Brasil desde as primeiras eleições no pós-redemocratização, em 1989. É claro que ela já apresentava, desde 2010, o recall conferido por quase 20 milhões de votos obtidos nas eleições presidenciais daquele ano. Mas não é isso que torna seu ingresso na disputa ímpar. Basicamente, existem quatro motivos. O primeiro deles é a própria circunstância de sua ascensão: vice de Eduardo Campos (PSB), foi guinada à condição de candidata à presidência depois do acidente aéreo que vitimou o ex-governador de Pernambuco, em Santos (SP), no início de agosto. Na história recente do Brasil, nenhuma corrida presidencial se proce...