Meados de 2018. O ônibus saiu de Salvador bem no começo da manhã. Linha regular, destinava-se às cidades da região sisaleira e, pelo caminho, catava quem se destinava à Feira de Santana, a Serrinha, a Conceição do Coité. Entusiasmado militante de Jair Bolsonaro, o “mito”, o cobrador estava exultante com o resultado das eleições presidenciais. Logo na saída da Rodoviária de Salvador – a manhã era ensolarada, luminosa – saudou alguém, à distância: “Bolsonaro! Bolsonaro!”, a voz alegre, satisfeita. Depois saiu conferindo passagens e, adiante, um acólito do “mito” - que examinava notícias na tela de um celular -, desejoso de puxar conversa, foi logo mencionando informação da Folha de São Paulo, enfiou um papo de desvio de verba no diálogo recém-iniciado; mas o cobrador, rápido feito um raio, reagiu quando ouviu a menção às verbas de gabinete, nem esperou a conclusão da frase: -Lei Renault, Lei Renault! Eles estão chateados porque vão perder a mamata da Lei Renault! Pensei que troc...