Quem se aventurava a cortar os inóspitos sertões nordestinos, lá por meados dos anos 1990, recorda bem a penúria em que viviam os pequenos municípios da região. Isoladas na profusão de espinhos de mandacarus e xique-xiques, castigadas pelo sol inclemente, expostas aos rigores das estiagens frequentes e ao fantasma da escassez hídrica, essas pequenas cidades só ganhavam as manchetes quando figuravam nos periódicos decretos de situação de emergência. Ou quando legiões de famélicos saqueavam os armazéns dalgum próspero comerciante. À época, o Brasil atravessava outra quadra áspera, na qual o receituário do Fundo Monetário Internacional, o FMI, tinha valor de sanção canônica. A pobreza e a exclusão, as profundas desigualdades sociais – jamais atenuadas – e a candente questão do desenvolvimento regional eram temas banidos naqueles anos. Afirmava-se, com sólido saber doutoral, que o livre funcionamento dos mercados resolveria todas essas questões. Sob o petismo, as campinas sertanejas s...